Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 20/06/2021

No seriado “Holo, meu amor”, uma empresa desenvolve um holograma tecnológico que gera conflitos nas interações afetivas e na segurança da protagonista Han So-yeon. Fora da ficção, é fato que na realidade atual também ocorrem impasses éticos e morais relacionados ao uso de inteligências artificiais. Nesse sentido, a problemática supracitada propicia o afrouxamento das relações interpessoais e o perigo associado à falta de proteção de dados.

Em primeiro lugar, vale ressaltar que o aumento da interação cibernética acontece em detrimento do distanciamento presencial dos cidadãos. A esse respeito, conforme o sociólogo Zygmunt Bauman, a debilitação dos vínculos pessoais resulta da liquidez moderna, a qual é ocasionada pela utilização exacerbada da esfera digital. Nessa perspectiva, o uso desregulado de inteligências artificiais provoca um impasse ético relativo à substituição do contato entre indivíduos pela conexão virtual, assim como na vida de So-yeon, uma vez que o convívio sintético demanda menos cuidado e empenho do que uma ligação real. Sendo assim, constata-se a necessidade de reduzir a influência computacional, a fim de atenuar a fluidez das relações humanas.

Ademais, a segurança informacional dos usuários encontra-se ameaçada por adversidades morais dos detentores de intelectos artificiais. Nesse contexto, no documentário “O dilema das redes”, são expostos mecanismos, bem como as persuasões de consumo e a manipulação do tempo gasto nas mídias, provenientes de grandes empresas para o controle e a utilização indevida dos dados pessoais. Sob esse viés, tais ferramentas constituem um desvio dos princípios corretos em relação às inteligências sintéticas, tendo em vista que esses recursos, quando utilizados indevidamente, exploram as referências da população sem a devida autorização. Dessarte, fica evidente a premência de combater esse obstáculo ético.

Portanto, medidas são necessárias para solucionar os impasses morais e éticos do uso de inteligências artificiais. Para isso, urge que o Ministério da Educação, por meio de verbas governamentais, realize fóruns, eventos e palestras que instruam pais e alunos acerca dos limites das interações cibernéticas e evidenciem os benefícios, tanto físicos quanto emocionais, do cultivo das relações pessoais fora das telas. Além disso, o Poder Legislativo deve, por intermédio da elaboração de uma lei eficiente, instituir multas caso não haja o cumprimento da segurança informacional e exigir um termo de autorização decente, com a finalidade de impedir o domínio inadequado das empresas cibernéticas sobre os dados dos usuários. Desse modo, será possível evitar o cenário caótico retratado na série “Holo, meu amor”.