Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial
Enviada em 21/06/2021
No filme “Tempos Modernos”, de Charlie Chaplin, há o retrato de um trabalhador que precisa lidar com os desafios impostos pelas inovações industriais da sua época. Fora dos tablados da ficção, sabe-se que a tecnologia está avançando cada vez mais ao passar do tempo, o que deu origem à Inteligência Artificial (IA). De forma breviloquente, pode-se afirmar que a IA é responsável benefícios para a humanidade, como a facilitação da interação. Entretanto, faz-se mister frisar seus impasses éticos e morais, que consistem na fragilização das relações interpessoais e no desemprego estrutural.
Mormente, segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, a sociedade, nos dias atuais, sofre um processo de “modernidade líquida”, que consiste na fragilização das relações interpessoais. De modo sucinto, pode-se afirmar que esse acontecimento é decorrente, dentre outros fatores, do avanço desenfreado da tecnologia, já que esta é responsável por facilitar os processos de comunicação. Além disso, ao se tratar da Inteligência Artificial, esse assunto torna-se ainda mais nocivo, tendo em vista que esse tipo de tecnologia foi criado para simular ações do homem, o que implica uma desvalorização dos atributos humanos. Assim, ao impôr o contato cada vez mais acessível, a IA acaba por privilegiar a facilidade da interação em detrimento da humanização dos relacionamentos, o que atinge diretamente os valores éticos, pois há menos convivência com a realidade e, consequentemente, menos noção dos problemas do mundo real.
Ademais, é imprescindível que se entenda que, com o advento da Revolução Industrial, as máquinas facilitaram e baratearam os processos de produção, o que fez com que muitos trabalhadores fossem demitidos e ficassem em situação de miséria. Como prova desse fato, pode-se citar movimentos sindicalistas que se revoltaram contra esse processo, como os ludistas, que chegaram ao ponto de quebrar máquinas nas indústrias para expressar sua revolta. Tendo em vista essa perspectiva histórica, entende-se que a Inteligência Artificial configura-se como um potencial caso de desemprego estrutural (ocasião onde a mão-de-obra humana é prejudicada por mudanças estruturais na economia), o que vai contra a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que assegura trabalho para todos.
Portanto, é indubitável que a Inteligência Artificial, apesar de trazer benefícios, implica impasses éticos e morais, como a fragilização das relações interpessoais e a substituição da mão-de-obra humana. Desse modo, faz-se necessário que o governo federal intermedie o uso da IA, por meio de sanções (como multas para empresas que prejudiquem seus funcionários em decorrência dessa tecnologia), a fim de garantir mais empregos e assegurar um maior contato entre as pessoas. Só assim, os desafios impostos pelo avanço tecnológico ficarão apenas na ficção de “Tempos Modernos”.