Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 21/06/2021

Desde os primórdios da Revolução industrial, com o advento da maquinofatura, o homem tem buscado meios para similarizar o saber humano a novas tecnologias, atribuindo suas funções à denominada Inteligência Artificial, o que vem contribuido para a dinamização social, política e econômica das sociedades. No entanto, apesar do enriquecimento sociocultural proporcionado pelo surgimento da mentalidade sintética, o mundo tem enfrentado dilemas éticos e morais no que tange ao uso dessa ciência, uma vez que essa detém interferência direta em todo o corpo social. Com efeito, torna-se evidente como causas a realização do controle de dados, bem como a falibilidade do sistema.

Sob esse viés, pode-se apontar como empecilho à constituição de uma solução a realização do controle de dados, haja vista que a Inteligência Artificial, devido a inexistência de leis funcionais que atuem sobre o acesso a informações, detém todos fatos da vida de seus usuários, em sua maioria, sem o conhecimento desses indivíduos, o que caracteriza-se como uma violação da privacidade  e uma falha moral da mentalidade sintética. Nesse sentido, o escritor Umberto Eco afirma que “Para ser tolerante é preciso fixar os limites do intolerável”. Por essa óptica, percebe-se uma lacuna ética, explicitada pela falta de uma legislação adequada. Assim, sem base legal, ações de remediação são impossibilitadas, o que acaba por agravar ainda mais a questão dos impasses éticos e morais da  Intelegência Artificial.

Outrossim, a falibilidade do sistema ainda é um grande obstáculo para a resolução da problemática, tendo em vista que, em razão da premência pela ideia de progresso, a Inteligência Artificial culmina por agir, por vezes, como uma ciência experimental na qual os resultados, devido a incerteza desses, estão sujeitos a falhas que poderão atuar de forma catastrófica no âmbito social, o que demonstra um certo descaso da ciência para com a coletividade. Nessa perspectiva, o sociólogo Zygmunt Bauman defende que a liquidez da sociedade moderna se pauta no imediatismo. De acordo com a perspectiva do pensador, a velocidade que caracteriza a cultura atual configura-se como um grave problema que atinge diversas áreas da ação humana. Tal imediatismo esta presente na base dos impasses éticos e morais do uso da mentalidade sintética, e gera consequências nos diversos aspectos do corpo social.

Portanto, indubtavelmente, medidas são necessárias para resolver esse problema. Logo, torna-se mister que o Governo Federal realize  a indicação de um projeto de lei que impossibilite a utilização do controle de dados de forma indiscriminada. Tal proposta deverá empreendida com o auxílio da população, atravez de questionários realizados na internet, com o intuito de possibilitar a manutenção da segurança e da privacidade dos usuários da Inteligência Artificial, de modo a diminuir os impasses morais e éticos associados a essa ciência.