Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial
Enviada em 21/06/2021
O século XX foi palco de muitas transformações e inovações: desde maneiras de produzir numa indústria à criação de máquinas inteligentes. Caso essas mudanças não sejam acompanhadas de cautela e clareza no respeito aos mais diferentes tipos de pessoas e culturas, podem reproduzir discriminações - tanto no Brasil quanto fora -, que são impasses, claramente, éticos do uso de inteligências artificiais. Dentre eles, os mais gritantes são: o viés racial e o viés de gênero.
A princípio, vale salientar que racismo é um problema que a humanidade carrega desde o início da globalização. Infelizmente, esse problema, incrustado no subconsciente de toda a sociedade ocidental, está, inconvenientemente, sendo transmitido às máquinas. Tal propagação é evidente no site “Al Portrait Ars”, desenvolvido pelo laboratório de Inteligência Artificial do MIT-IBM Watson, com o intuito de modificar fotos das pessoas a fim de fazê-las parecer com retratos pintados à mão por renascentistas. Nesse caso, o site deformava rostos negros e asiáticos, comprovando o “racismo algorítmico” por trás dos dados.
Em segunda instância, assim como a discriminação por etnia está sendo passada às máquinas, lamentavelmente, o preconceito de gênero também está. Ele é outro dos problemas trazidos pela humanidade devido à não racionalidade e à aversão ao que não é dominante. A respeito disso, um dos riscos potenciais do uso de Inteligência Artificial é a segregação de gênero na tomada de decisão, segundo relatório de março de 2020 do Comitê Executivo sobre Igualdade de Oportunidades para Mulheres e Homens, da Comissão Europeia.
Portanto, deve-se superar os impasses éticos do uso de inteligências artificiais no Brasil. Para isso, o Governo Federal deve exigir a equidade nos sistemas de informação e inteligência das empresas alocadas no país, através da criação de leis e de orientações que garantam respeito e igualdade de direitos a todos, visando incentivar o respeito à diversidade e diminuir as discriminações.