Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial
Enviada em 22/06/2021
A partir da Guerra Fria, iniciou-se um intenso processo de desenvolvimento tecnológico e científico na conjuntura mundial. Com isso, levando à possibilidades de tecnologia como a inteligência artificial, amplamente utilizada no dia a dia das sociedades atuais, principalmente em relação às redes sociais. Todavia, ainda se pode verificar impasses éticos e morais relacionados a tal recurso, principalmente nas questões da privacidade e o uso para fins maliciosos.
Em primeira análise, vale ressaltar que levando em conta a inteligência artificial, muitas vezes a privacidade do indivíduo não é assegurada. Nesse sentido, trata-se por exemplo, o vazamento de dados de indivíduos e aparelhos que escutam mesmo com microfones desativados e que influenciam no algoritmo de pesquisas. Isso pode ser exemplificado no documentário Privacidade Hackeada, da Netflix, no qual são demonstrados alguns dos escândalos da empresa Cambridge Analytica e do Facebook, relacionados com a exposição de dados de usuários para a criação de perfis falsos que influenciassem nas eleições estadunidenses de 2016. Tratando-se de um retrato da realidade, tal escandalos não são excessões, assustando os usuários, verificando-se a crescente divulgação de sites e aplicativos utilizados para a proteção de dados.
Além disso, é válido considerar a utilização desse recurso artificial para fins não éticos, afetando a finalidade real dos tais. O filósofo polonês Zigmunt Bauman, em sua teoria da modernidade líquida, defende que a indefinição e incerteza do futuro tornaram-se importantes características das sociedades do século XXI. Nesse cenário, altamente conectado, ao se considerar a potencial utilização das inteligências artificiais para a facilitação da rotina dos indivíduos, deve-se levar em conta a possibilidade de invasores virtuais. Esses que já são atuantes na disseminação de vírus virtuais e na capacidade de “hackear” redes ou aparelhos, podem vir a afetar as inteligências artificiais com propósitos maiores, como os carros autônomos.
Em suma, verifica-se os possíveis impasses éticos e morais do uso da inteligência artificial. Assim, objetivando uma maior segurança e privacidade na utilização de tal tecnologia, cabe ao Governo Federal a criação de orgãos que garantam a segurança cibernética da população brasileira, com a fiscalização e prevenção de ataques às inteligências artificiais e a segurança de dados, garantindo os direitos constitucionais de segurança e privacidade a todos os cidadãos.