Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 22/06/2021

Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, “vivemo tempos líquidos…”. Essa ideia defendida por ele faz uma reflexão acerca do avanço da tecnologia como prestadora de serviço a uma sociedade, como a Interligência Artificial (IA), pois ela se torna muito presente e evoluiada a cada dia. Diante disso, hoje, existem os seguintes impasses éticos e morais que são questionados pelas sociedades científicas e tecnológicas, já que nem todas as pessoas tem conhecimento para conviver com essa realidade: implicação  das tomadas de decisões por computadores e privacidade dos indivíduos.

De início, destaca-se que uma ferramenta tecnológica a serviço da qualidade de vida é muito interessante, desde que não comprometa a vida e a segurança de outra pessoa, pois há uma grande diferença entre um robô como aspirador de pó e um robô que auxilia, de forma significativa, em uma cirurgia. Dessa maneira, é possível salientar que os limites da inteligência artificial são discutidos porque existe um grande comprometimento de questões sociais, morais, éticas e individuais, uma vez que, na maioria das vezes, o “analfabetismo” inerente a essa tecnologia de ponta compromete o não entendimento direto das tomadas de decisões feitas, por exemplo, por um robô em um caso de urgência, o que é preocupante. Com isso, é notório que, até um certo ponto, essa realidade é algo muito favorável, entretanto pode ser complexa ao ser implementada nas áreas sociais.

Além disso, um outro entrave comunicação pelo avanço da inteligência artificial é a possível falta de privacidade individual, haja vista a tendência que ela contém de dominar a área de dados pessoais e os cruzamentos desses dados. Nessa linha de raciocínio, é importante saliente que o cruzamento de informações pessoais é, atualmente, um assunto muito sério que merece atenção, pois o vazamento delas implica a predisposição a abertura de vários processos de transações financeiras, a golpes, e, até mesmo, a perda de crédito de um consumidor, ou seja, implica diretamente no funcionamento da vida das pessoas, o que é grave. Um exemplo disso foi em 2021, o megavazamento de dados no Brasil que, de acordo com o portal G1, foram expostos Cadastros de Pessoa Física (CPF), sexo, datas de nascimento e nomes, promovendo a falta de privacidade individual e afrontando a dignidade das pessoas.

Por fim, são evidentes os impasses éticos e morais causados ​​por esse avanço. Assim, é dever das sociedades civil e científica limitar essa grande transformação pela inteligência artificial, por meio de ações efetivas e seguras, como o acompanhamento dos métodos utilizados para essas inovações e a análise sobre suas consequências favoráveis ​​ou não, a fim de garantir a segurança, a privacidade e, sobretudo, a dignidade dos indivíduos.