Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 22/06/2021

Em 2021, a empresa cinematográfica Netflix estreou o filme “A família Mitchell e a Revolta das Máquinas”, no qual apresenta um cenário ficcional dominado por dispositivos eletrônicos conectados a rede mundial de computadores. Nesse sentido, a animação se aproxima da realidade, pois reflete um impasse presente na atualidade: o das consequências geradas pelo uso das tecnologias dotadas de Inteligência Artificial (IA). Dessa forma, os centros de pesquisa, os governos e a sociedade civil discutem as implicações sociais e as questões éticas referentes à inserção dessas ferramentas na comtemporaneidade.

A princípio, é importante ressaltar a realização de trabalho como uma característica fundamental à existência e à estruturação das sociedades. Conforme isso, Ben Gurion, ex-primeiro ministro de Israel, afirmou que “o trabalho é um dever social, uma manifestação da força criativa do homem e do seu poder de subjugar a natureza”. Portanto, a criação de mecanismos que objetivam a substituição do ser humano em suas funções laborais constitui uma ameaça à ordem de funcionamento das comunidades nos países à medida que elimina um fator essencial ao equilíbrio delas. Um exemplo disso, é o crescimento, no Brasil, do desemprego tecnológico, evidente nos processos de automação do campo e de robotização setor de telemarketing, gerando redução do número de pessoas economicamente ativas e aumento das disparidades socioeconômicas do país.

Além disso, a moralidade dos processos realizados pelos sistemas de IA é considerada questionável. Pois, uma vez que as máquinas operam em conformidade com os bancos de dados fornecidos à elas, seus julgamentos finais são altamente manipuláveis, podendo colaborar com o desenvolvimento de processos antiéticos. Tendo isso em vista, o documentário Privacidade Hackeada demonstra o efeito prático desse tipo de conduta nas democracias atuais. Nele, é relatado o caso da empresa Cambridge Analityca, que atuou em diversas eleições, como a de Donald Trump, através da inserção de dados de eleitores em um sistema inteligente que influenciaria seus votos por meio de informações direcionadas a eles em suas redes sociais, tais quais o Facebook, revelando quão nocivas podem ser essas tecnologias.

Portanto, é necessário que haja a criação de leis que abranjam esse novo estágio da evolução tecnológica. Assim, para que isso aconteça, o Governo Federal deve reunir um comitê de profissionais especializados no assunto e aptos a negociar com as empresas as condições de aplicação das ferramentas tecnológicas. Desse modo, leis justas poderão ser votadas no Congresso Nacional e o equilíbrio entre o avanço científico e a sociedade brasileira poderá ser estabelecido de forma ética.