Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial
Enviada em 04/07/2021
Na animação audiovisual “Wall-E”, produzida pela Pixar Studios, é retratado um futuro distópico, no qual, graças ao extraordinário desenvolvimento tecnológico, há uma subversão da posição do ser humano de indivíduo pensante, o que o fez ser paulatinamente substituído por algoritmos em atividades que demandem capacidade cognitiva. Mediante ao exposto, ao observar o esfacelamento dos valores naturais da espécie humana como seres racionais, constata-se os impasses éticos e morais do uso da inteligência artificial. Por isso, devido à descensão da ética laboral na sociedade e à depreciação do papel intelectivo do homem, a problemática traz consigo sequelas à coletividade.
Em primeiro plano, a corrosão da posição do ser humano no viés trabalhista corrobora a conjectura. Nesse sentido, a ascensão Toyotismo, modelo de produção industrial de origem nipônica, fez com que a o ambiente de trabalho privilegiasse a atuação de máquinas automatizadas em detrimento de indivíduos humanizados. Desse modo, a partir do momento em que há a depreciação do ofício do homem na atividade laboral, fatores que outrora eram considerados intrinsecamente interligados, a ética trabalhista é deturpada e emergem os percalços morais da utilização da inteligência artificial. Logo, graças à subversão dos princípios do homem no local de trabalho, acentuados com o modelo toyotista, os robôs e algoritmos são vistos como danosos à conjuntura social estabelecida.
Ademais, a desvalorização do papel intelectivo do ser humano agrava, ainda mais, o quadro. Nesse viés, segundo John Locke, filósofo britânico, a razão é faculdade pela qual o homem se distingui das bestas e, consequentemente, as ultrapassa. Dessa maneira, no instante em que há predomínio da atuação da inteligência artificial em atividades intelectuais, como é retratado no filme Wall-E, futuro não tão longínquo, o indivíduo perde seu papel racional e, paralelamente aos parâmetros de John Locke, se aproxima das condições de um animal selvagem, completamente passional e ilógico. Assim, devido aos problemas advindos ao cenário, são necessárias medidas interventivas.
Portanto, depreende-se que a questão da danificação moral e ética do uso da inteligência artificial é tida como desafio e carece de soluções. Sendo assim, o Estado, ao atuar em parceria com o Ministério do Trabalho, deve, por meio de programas de capacitação profissional, inserir de maneira íntegra o homem na cadeia produtiva e fazer com que haja atuação cognitiva antrópica no ambiente laboral, a fim de fazer retornar o valor da ética trabalhista, tornar o ser humano indivíduo pensante e racional, como prescrito em sua natureza biológica, e, consequentemente, reverter o processo de substituição do homem pelos algoritmos, o que tornará ainda mais irreal o universo descrito na animação “Wall-E”.