Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 21/07/2021

Conforme observado em diversas produções contemporâneas famosas, a exemplo das séries ‘‘Black Mirror’’ e ‘‘The 100’’, a ascensão da inteligência artificial (IA) é uma questão atual, a um só tempo aterrorizante e fascinante. Essa dicotomia se deve à dúvida comum acerca dos resultados de tais avanços, os quais ainda não foram delimitados por valores éticos e morais sólidos, urgentes para a boa gestão das IA’s.

Em uma análise ampla, é preciso explicitar a importância da cultura para o curso da história, que é explicada pelo sociólogo Max Weber. Para o estudioso, a ascensão  do sistema capitalista deve-se, em grande parte, à cultura desenvolvida pela Reforma Protestante, a qual regulou a forma de conduta ante o recém-surgido trabalho assalariado. De forma análoga, é por meio da ética e da moral que serão condicionados os usos possíveis da inteligência artificial: elas determinarão se a tecnologia será utilizada para o bem geral ou não.

Logo, em uma análise mais aprofundada, infere-se que a ausência de freios culturais pode resultar na instrumentalização das IA’s para interesses perversos. Pensando nisso, o historiador israelense Yuval Harari, no livro ‘‘21 Lições para o Século 21’’, aponta para a probabilidade de as novas tecnologias serem utilizadas para manipular a população, caso não sejam decididas as questões éticas e morais. Assim, alguns cenários distópicos, como os mostrados em Black Mirror, tornar-se-iam possíveis, de forma a favorecer os grupos dominantes de forma irrevogável, engendrando ainda mais desigualdade social.

É urgente, portanto, que haja o desenvolvimento de uma ética e moral que coloque rédeas na inteligência artificial, determinando seu uso para o bem geral. Para que isso ocorra, é preciso que as universidades incluam, nos vestibulares, a cobrança de autores contemporâneos, como Harari, que discutam a filosofia por trás das inovações científicas, de forma a incentivar o estudo dessas questões no ensino médio e gerar um pensamento crítico. Ademais, os orientadores de estudos universitários na área de ciências humanas devem priorizar estudos que envolvam a questão da ética na ciência, aumentando o arsenal de informações a serem estudadas. Por fim, fazendo uso de todas as informações colhidas com as propostas anteriores, cabe ao cidadão votar, nas eleições, nos candidatos que melhor representem seus interesses, de forma a decidir, fazendo uso da democracia, o futuro da ética e moral na inteligência artificial.