Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 29/08/2021

Com o advento da Revolução Técnico-Científica-Informacional, o número de tecnologias desenvolvidas com o intuito de aprimorar e agilizar processos do cotidiano aumentou. Entretanto, embora o uso de novos instrumentos tecnológicos vise garantir o constante progresso da humanidade, no Brasil contemporâneo, a falta de perspectivas éticas e morais por parte da população torna o uso da Inteligência Artificial passível a aplicações indevidas e inconstitucionais. Nesse viés, urge analisar as causas econômicas e educacionais para a existência da problemática.

Em primeiro plano, é válido destacar a relação entre a economia e a perpetuação do impasse. De acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, ninguém é indivíduo antes de se tornar mercadoria. Sob essa ótica, na sociedade capitalista atual, na qual o principal objetivo é a obtenção de capital para garantir prestígio social, há a valorização do cidadão apenas como um meio para gerar lucros. Assim, empresas utilizam dessa área da ciência da computação para otimizar ganhos por meio da invasão de privacidade da população para a coleta de dados e, consequentemente, personalização de propagandas e maior alcance de possíveis compradores de serviços e produtos. Em vista disso, ações para a mudança da atual conjuntura são imprescindíveis para que a Inteligência Artificial não seja utilizada apenas para garantir lucros.

Ademais, segundo o filósofo Immanuel Kant, o homem é aquilo que a educação faz dele. Sob essa perspectiva, nota-se a relevância do âmbito escolar na formação de indivíduos conscientes e críticos. Contudo, o modelo de educação tecnicista existente nas escolas do país vai contra a lógica kantiana, ao passo que carece de palestras e de rodas de conversa sobre softwares que simulam a inteligência humana e o uso analítico e moral dessa ferramenta para os brasileiros em idade escolar e, assim, gera cidadãos pouco éticos no que tange a utilização desse produto do avanço tecnológico. Portanto, deve-se transformar a realidade hodierna da educação no Brasil para que o uso íntegro desse importante instrumento seja uma realidade no país e auxilie o progresso nacional.

Diante disso, medidas são cruciais para a utilização segura da Inteligência Artificial. Dessa maneira, a fim de gerar consciência moral na população brasileira em relação à problemática, o Estado, em parceria com veículos midiáticos, que possuem significativa abrangência nacional, deve realizar propagandas com profissionais da computação para informar a importância de utilizar esses avanços científicos de maneira ética no cotidiano. Com isso, garantir-se-á o progresso nacional por meio do uso consciente da tecnologia.