Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 21/09/2021

O longa norte-americano “Matrix” ilustra um futuro distópico em que os computadores, dotados de Inteligência Artificial, conquistam e escravizam a humanidade em uma guerra injusta. Não obstante, embora a obra não transponha as barreiras da ficção científica, o longa expõe alguns dos diversos impasses éticos e morais em se tratando do uso da Inteligência Artificial. A infinidade de ferramentas à disposição do programador, a autonomia na tomada de decisões e a deficiência na regulamentação deste setor são alguns dos fatores que problematizam o uso desta tecnologia. Outrossim, em função da importância do tema na sociedade hodierna, é imperioso que se analise tais impasses de modo a possibilitar o uso seguro deste tipo de inteligência.

Em primeira análise, vale resgatar o aspecto supracitado no que tange a autonomia das máquinas. De acordo com o neurologista australiano Sigmund Freud, o processo decisório aborda aspectos subjetivos e objetivos da psicologia humana. Nesse contexto, as emoções apresentam parcela significativa na tomada de decisão, uma vez que abordam experiências anteriores, exibem empatia para com outras partes e projetam as possíveis consequências de cada escolha. Embora a Inteligência Artificial complete os aspectos objetivos com grande êxito, deixa a desejar no que se refere aos aspectos subjetivos. Destarte, estabelecidas as deficiências desta tecnologia, é importante que se limite sua autonomia, de modo a assegurar a eficiência dos processos decisórios fundamentais.

Além disso, a falta de regulamentação do setor atua como catalisador do problema. Seja em função da grande velocidade de mudanças, seja em função da negligência governamental, a não regulamentação do uso dessas novas tecnologias exibe exorbitante risco social, uma vez que coloca uma infinidade de dados e ferramentas à disposição de programadores nem sempre bem intencionados. Outrossim, o Estado perde sua função social e passa a atuar como Instituição Zumbi, conforme explicitado pelo sociólogo polonês Zygmunt Baumann. Dessa forma, para que a teoria do estudioso polonês seja refutada, é imperiosa a reação do Estado.

Diante do exposto, a regulamentação do uso da Inteligência Artificial mostra-se urgente. Assim, é imperativa a proposição de leis, por parte do Congresso Nacional, que visem normatizar a disseminação dessas tecnologias, garantindo a segurança da população. A participação do Ministério da Educação neste processo também se mostra necessária, para, através de palestras e da educação nas escolas, conscientizar a população acerca dos riscos e limitações da Inteligência Artificial, evitando a concretização da distopia exibida no longa norte-americano “Matrix” e garantindo que a dominação das máquinas não ultrapasse os limites da ficção científica.