Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial
Enviada em 08/09/2021
No filme ‘‘Eu, robô’’, é retratada a história de um cientista que, em um meio caótico engendrado pelo descontrole humano sobre a Inteligência Artificial, luta pela sobrevivência. Paralelamente à ficção, o Brasil contemporâneo enfrenta diversas barreiras no tocante aos impasses éticos e morais do uso da ‘‘IA’’, o que necessita ser combatido. Logo, deve-se averiguar dois dos principais fatores que concretizam a problemática: a manipulação mercadológica contemporânea e a precarização do debate acerca do tema no país.
A priori, é fulcral ilustar tais empecilhos por meio do conceito de ‘‘ilusão da contemporaneidade’’, orquestrado pelo filósofo Sartre. Nesse âmbito, os cidadãos são manipulados pela errônea noção de modernidade de acordo com os interesses do mercado vigente, em detrimento do alinhamento com os valores morais e éticos sociais. Por sua vez, a Inteligência Artificial é aplicada de modo que os lucros possam ser potencializados, haja vista que a ilusão criada pelos ideais mercadológicos possibilita esse impasse.
Outrossim, a ineficiência e a baixa frequência da promoção de discussões acerca dos limites da ‘‘IA’’ contribuem com a concretização desse dilema tecnológico. Nesse sentido, fica evidente que as ‘‘instituições zumbis’’, como já abordado pelo sociólogo Zygmunt Bauman, persistem na sociedade, tendo em vista que, apesar da existência de comissões de ética especializadas, a problemática persevera. Em vista disso, os debates que deveriam promover a reflexão sobre o uso dessa espécie de tecnologia são negligenciados, visto que o Poder Público não busca maneiras efetivas de contornar tal circunstância.
Portanto, para que as barreiras mencionadas sejam atenuadas, é mister que o Ministério da Educação fomente debates democráticos sobre os limites da Inteligência Artificial, além dos perigos da manipulação do cidadão através de premissas modernistas. Tais medidas poderão ser realizadas por meio de palestras educativas gratuitas com o auxílio de profissionais do meio tecnológico, de modo que a temática seja alvo de reflexão pelos brasileiros. Desse modo, diferentemente como na ficção ‘‘Eu, robô’’, a ‘‘IA’’ seria utilizada de maneira harmônica, alinhando-se aos valores éticos e morais da sociedade contemporânea.