Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial
Enviada em 01/11/2021
A frase “a tecnologia move o mundo” do fundador da Apple, Steve Jobs, ressalta o seu pensamento sobre a capacidade da internet de transformar e desenvolver o mundo. Tal posição, decerto, é corroborada ao analisar o poder agregado na criação da Inteligência Artificial, como a automação de veículos e fábricas, a análise de dados para obtenção de “insights” e as recomendações com base no estudo dos gostos pessoais. No entanto, tal ferramenta, que deveria ser utilizada para o desenvolvimento da humanidade, esbarra-se nos impasses éticos e morais sobre seus usos, como na substituição da mão de obra humana e na alienação da sociedade.
Convém ressaltar, a princípio, como os avanços da Inteligência Artificial contribuem para um impacto na base do mercado de trabalho. Nesse sentido, a partir da década de 1950, a Terceira Revolução Industrial implicou a demissão em massa nos lugares onde as máquinas chegaram. Assim, o homem que antes vendia apenas sua força fisíca, vem perdendo seu valor capital, dado que os robôs e as automações, em grande escala, estão substituindo a força braçal dos seres humanos. Dessa maneira, há uma decorrente demissão de setores que necessitam da força física, agravando seriamente a vida de pessoas que não possuem condições nem oportunidades de fazer uma faculdade ou curso.
Ademais, vale ressaltar, também, o esforço das empresas de utilizar a Inteligência Artificial para aumentar o tempo de uso dos usuários e, consequentemente, manipular suas atitudes. Sob essa lógica, no documentário “O Dilema das Redes”, é apresentado como os algoritmos das redes sociais, como o Facebook, têm persuadido nas escolhas, opiniões e atitudes das pessoas. Nesse contexto, é indubitável que os mecanismos criados pelas empresas de software para induzir as ações dos indivíduos, como o uso de propagandas selecionadas de acordo com suas pesquisas, acarretam o vício das pessoas por esses aplicativos e o controle de suas ações, gerando indivíduos manipulados e sem senso crítico. Dessa forma, a tecnologia é utilizada imoralmente para fins lucrativos em vez de proporcionar melhores conteúdos para as pessoas.
Logo, medidas são necessárias para alterar esse cenário. Portanto, é preciso que o Ministério da Educação, juntamente com as prefeituras, desenvolva projetos nas escolas, por meio de apresentações, “workshops” e palestras com especialistas em TI, que conscientizem os alunos sobre os benefícios da Inteligência Artificial e o perigo que a utilização inadequada dessa ferramenta pode causar. Além disso, o MEC deve também desenvolver cursos técnicos para a população que não possui oportunidades de pagar, a fim de, no longo prazo, diminuir o desemprego no Brasil por meio da profissionalização da sociedade. Assim, em acordo com Steve Jobs, será possível utilizar a tecnologia para o bem.