Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 13/11/2021

A produção norte-americana da Marvel “Vingadores: A Era de Ultron” evidencia de maneira hiperbólica como o desenvolvimento de uma Inteligência Artificial gerou riscos severos à humanidade. De modo semelhante, as discussões , na realidade, são desenvolvidas em torno das principais problemáticas que essas tecnologias podem fazer surgir. Ou seja, o aprimoramento e aplicação excessiva de sistemas ciberfísicos representam um perigo ao desenvolvimento humano. Dessa maneira, tal fato ocorre devido à crescente sobreposição desse artifício sobre os desejos pessoais, além do controle demasiado de dados privados e atividades virtuais.

Sob esse viés, vale destacar que a priorização das máquinas hiperinteligentes em detrimento dos interesses humanos é um dos impasses éticos relacionados ao seu uso. Nessa perspectiva, a tecnologia recebe maior relevância que as vontades das pessoas. Em consonância, o filósofo Michel Foucault afirmou que os seres humanos não são autodeterminantes, já que vivem em estruturas sociais que constroem suas personalidades. Por analogia, a Inteligência Artificial, assim como as instituições sociais, moldam o sujeito comprometendo a individualidade do mesmo, na medida em que induz ações ou decisões tendenciosas, como o consumo desnecessário.

Além disso, o domínio desmedido de dados privados e a regulação das atividades digitais por esses sistemas artificias apresenta-se, também, como um empecilho moral, uma vez que esse tipo de tecnologia passa a ter um controle maior dos usuários ao deter essas informações. Nesse sentido, o escritor e líder indígena Ailton Krenak descreveu em seu livro “A vida não é útil” como a sociedade desenvolve os meios que suprimem a própria evolução, isto é , geram a autodestruição. Semelhantemente, as ferramentas automatizadas, embora facilitem atividades cotidianas, corroboram para um retrocesso da humanidade no que diz respeito ao controle de si.

Portante, a inteligência sintética colocada acima dos interesses dos homens e o controle de dados particulares e ações online são os principais impasses morais em relação a utilização desses avanços. Logo, faz-se necessário que o Governo estabeleça limites éticos às iniciativas técno-científicas quanto à utilização de algoritmos, além de fiscalizações que visem garantir que esse tipo de mecanismo não está sendo aplicado de maneira inadequada, como para espionagem, por meio de projetos de lei e desenvolvimento de software que garanta o uso seguro da Inteligência Artificial, para que os avanços científicos não se tornem um perigo iminente à singularidade humana. Só assim será possível alcançar um futuro em que o progresso possa coexistir pacificamente com as comunidades.