Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 12/11/2021

Historicamente, o movimento Ludista, utlizado para reinvindicar as condições de trabalho dos indivíduos, consistiu na quebra das máquinas, pois essas eram sinais da substituição da mão de obra. Analogamente, o uso de Inteligência Artificial ganha cada vez mais espaço na sociedade atual, porém causa uma série de impactos em relação à ética humana, como também problemas morais no ambiente de trabalho. Nessa perspectiva, faz necessário avaliar as causas da interferência tecnológica nos vínculos afetivos e a sua relação com o aumento do desemprego.

Sob esse viés, sabe-se que as vivências sociais alteraram-se ao longo dos anos, principalmente com a Era Informacional, que modificou a formação dos laços afetivos. Isso se fundamenta nos estudos do filósofo Pierre Lévy, em que diz que o espaço virtual não se distingue do real, fato esse que acarreta consequências étnicas, já que os vínculos formados não são fixos e o uso desses recurso distanciam ainda mais o físico humano. Sendo assim, ratifica o fato de que o ambiente está intensamente distorcido, pois o ciberespaço e o ambiente real não se diferenciam, acarretando estigmas às vivências humanas.

Ademais, nota-se que a tecnologia está demasiadamente presente nos locais de trabalho e esse fato reflete no número de desemprego e alienação nesses espaços. Um bom exemplo é o filme ¨A Fantástica Fábrica de Chocolate¨, que dentre uma das temáticas, aborda sobre as condições precárias de uma família, que após a figura paterna, que sustentava os entes financeiramente, perder o seu emprego com a chegada das máquinas inteligentes que passaram a exercer o seu trabalho.  Dessa forma, esse evento ocorre com frequência, sobretudo devido ao desamparo governamental em relação aos proletários no momento da chegada dos aparatos tecnológicos, rompendo assim com a moralidade de promoção do bem estar social conferidos por essa instituição.

Portanto, percebe-se que os movimentos históricos de repúdio às máquinas refletem nas vivências atuais, principalmente com a alteração da criação de laços sociais e com o aumento do desemprego.  Logo, urge que o Ministério da Economia, em conjunto com o Ministério da Educação, promovam medidas para a redução do número de desocupações e para a criação de relações mais longínquas e plenas. Tal ação deve ocorrer por meio de verbas destinadas ao setor empregatício, como também através de palestras nas escolas sobre boas relações morais e éticas, em relação ao uso saudável da Inteligência Artificial. A fim de diminuir os índices de desempregados e criar vínculos sociais estáveis, pois só assim a realidade vivida e refletida pelo movimento Ludista solucionar-se-á.