Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 13/11/2021

No documentário “The Great Hack” é relatado a relação entre a empresa inglesa Cambridge Analytica e o uso indevido de dados pessoais. No decorrer da trama, nota-se como o grupo britânico manipulava, virtualmente, a informações individuais em massa. Fora do mundo cinematográfico, no Brasil, o cenário é amiudadamente semelhante, haja vista que, princípios morais são negligenciados pelo uso antiético da inteligência artificial. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que contribuem para esse quadro, como a falta de privacidade e o controle de usuários.

Em uma primeira análise, ressalta-se a carência de privacidade nas plataformas atuais. Nesse sentido, foi promulgada, no Brasil, a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais- que garante sobretudo, a segurança de indivíduos expostos na internet-. Contudo, tais normas são incapazes de amenizar o uso indevido de inteligência artificial, tendo em vista os recentes casos- como a irregularidade da Cambridge Analytica- que interferem na privacidade dos usuários. Consequentemente, os mecanismos de captação de dados deturpam a moral do cidadão devido o armazenamento ilegal de informações.

Ademais, a falta de controle das pessoas frente a tecnologia impulsiona o problema em questão. De fato, a restrição de autonomia diante dos dispositivos artificiais evidência o baixo domínio do internauta sobre seus dados, resultando na divulgação indevida sem o consentimento do indivíduo. Nesse contexto, o filósofo Michel Foucault expõe que o poder é um conjunto de relações que produz assimetria e sustenta a autoridade. Logo, evidencia-se que a inteligência artificial comporta-se como detentora do poder, causando o desequilíbrio.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Governo Federal- instância máxima de administração pública- por meio do Poder Legislativo melhore a eficiência das leis de dados atuais, aplicando multas severas a empresas que infligirem. Essa ação tem como finalidade promover aos usuários mais segurança no âmbito das redes. Com efeito, práticas imorais, como as realizadas no Reino Unido, não será típicas da sociedade brasileira.