Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial
Enviada em 14/04/2022
A Revolução Industrial ocorrida na Inglaterra no século XVIII foi marcada, principalmente, pela implementação de máquinas no cenário laboral, o que proporcionou a possibilidade de ampliar a produção e o lucro. Embora a tecnologia desenvolvida desde então ter significativa importância hodiernamente, evidencia-se, num contexto antagônico, a ascensão da Inteligência Artificial, cuja propagação gera dois impasses passíveis de discussão: o aumento da desigualdade social e a intrigante repulsa do ser humano a esses humanoides.
Em primeira análise, é indiscutível que a mecanização do trabalho se desenrolou da necessidade de aprimorar o ritmo de produção industrial a fim de, paralelamente, minimizar os gastos com a classe trabalhadora. Nesse sentido, nota-se uma exponencial substituição do trabalho braçal pelo maquinizado, extinguindo, dessa forma, diversos setores trabalhistas. Sob esta ótica, o historiador Yuval Harari afirma que “no século XXI poderíamos assistir à criação de uma maciça classe não trabalhadora”, e, a partir disso, as desigualdades sociais estariam cada vez mais acentuadas.
Outrossim, a Inteligência Artificial encontra um entrave que pode impossibilitar sua utilização no cotidiano: a repulsa humana a seres quase humanos. Tal fato é apelidado de “o vale da estranheza” e é objeto de estudo do engenheiro Masahiro Mori que relatou respostas emocionais negativas ao colocar um ser humano observando um semelhante robótico imperfeito. Logo, é necessário esperar a tecnologia alcançar patamares capazes de reproduzir um ser humano perfeito para que o mesmo execute tarefas humanas corriqueiras.
Portanto, cabe ao Ministério da Educação investir na educação especializada concordante às mudanças das relações de trabalho e aos processos tecnológicos em constante aprimoramento, por meio da inserção de novas áreas de conhecimento na grade curricular nacional, a fim de que novos setores laborais sejam preenchidos devidamente e a desigualdade social seja atenuada. Paralelo a isso, cabe ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação patrocinar pesquisas relacionadas à Inteligência Artificial a fim de que os problemas a ela atrelados sejam solucionados.