Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 30/05/2022

O jornalista Gilberto Dimestein, na obra “O cidadão de Papel”, a denuncia da ineficácia de mecanismos legais é feita, o que evidencia uma cidadania aparente - metáfora utilizada pelo autor. Nesse sentido, pode-se relacionar tal premissa ao que ocorre no Brasil, hodiernamente, tais como, os impasses éticos e morais da utilização de inteligência artificial. Isso é causado, mormente, pelo descaso governamental e pela falta de empatia, fatos que perpetuam essa problemática.

“Nas favelas, no Senado / Sujeira pra todo lado / ninguém respeita a Constituição.” De maneira análoga ao relatado na música da Legião Urbana, a omissão estatal impede a resolução efetiva de empecilhos éticos e morais no uso de inteligência artificial. Essa situação decorre de tal forma que a ineficácia dos mecanismos legais de proteção aos usuários em meios cibernéticos expõe as vulnerabilidades sistemáticas. Dessa forma, indivíduos sofrem com a manipulação de seus dados sigilosos sem autorização, e têm, infelizmente, os direitos negligenciados, já que não há respeito à Constituição.

Além disso, o individualismo existente no corpo social pode ser evidenciado como um entrave que impede a solução de questões éticas e morais na aplicação de inteligência artificial. Nesse contexto, segundo Zigmunt Bauman, em sua tese “Modernidade Líquida”, a contemporaneidade é marcada pela volatilidade das relações sociais: o egoísmo. Sob esse viés, ressalta-se que a passividade coletiva, perante a busca da privacidade no uso de informações nos sistemas automatizados, demonstra a realidade bauniana. Isso acontece, pois, lamentavelmente, cidadãos preocupados com o consumismo e com seus desejos patrimoniais - não se importam com a comunidade. Assim, a irresponsabilidade cidadã compromete o bem-estar coletivo no ambiente digital.

Destarte, fica a cargo do Ministério da Ciência e Tecnologia criar campanhas informativas sobre os aspectos legais, em plataformas digitais, tais como Youtube e TikTok, por meio de vídeos lúdicos sobre inteligência artificial e seu uso com alteridade. Essa ação tem a finalidade de remediar não somente o descaso governamental, mas também a importância da empatia nas relações digitais, contrapondo o elucidado por Bauman.