Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial
Enviada em 18/08/2023
Apesar do renomado linguista estadunidense Noam Chomsky afirmar que os modelos de linguagem em inteligência artificial “não passam de um autocompletar sofisticado”, as ações da empresa pioneira nessa nova tecnologia valorizam expressivamente - o mercado, assim, antes de observar os nuances do novo produto, deposita cofiança nele como gerador de riqueza, lucro. Desta forma, cabe analisar de que forma a lógica capitalista afeta as questões éticas e morais em torno da rápida evolução da inteligência computacional.
Primeiro, observa-se que a humanidade, de acordo com Marx, possui cada vez mais forças produtivas para se emancipar do trabalho, no entanto, por causa da lógica de acumulação do capital, utiliza a tecnologia para fazer exatamente o contrário, aumentando a produção. Deste modo, por exemplo, na época da primeira revolução industrial, em vez dos costureiros trabalharem menos com a vinda do tear mecânico, eles foram organizados pelos donos de fábrica a superar jornadas de doze horas de trabalho. Nesse sentido, a inteligência artificial, obedecendo à economia capitalista, pode afetar dramaticamente os empregos que requerem mão de obra especializada.
Por conseguinte, é importante notar o estudo da empresa OpenAI, desenvolvedora do ChatGPT, que aponta o futuro aumento do desemprego em áreas que precisam do uso da inteligência. Esse dado alarmante evidencia como para o mercado não existe ética ou moral - demissões em massa aparecem como consequência natural, tratando a classe trabalhadora como ativo substituível.
Portanto, para fins de controlar o anarquismo no qual operam as relações de troca no mercado capitalista, urge ao poder legislativo a elaboração de leis que controlem a contratação de serviços de inteligência artificial por iniciativa privada. A nova regulação deve assegurar aos funcionários uma indenização proporcional a um semestre de serviço caso eles venham a ser desligados. Para que os efeitos do modo de produção capitalista, assim, possam ser dirimidos e o estado seja uma agente ético na fome pelo capital.