Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 02/10/2023

O sociólogo francês, Pierre Bordieu, defende em suas obras que a tecnologia, criada como instrumento para o avanço da democracia, não pode ser convertida em um mecanismo de opressão. Este pensamento pode ser observado através do avanço das Inteligências Artificiais (IA), que possuem a capacidade de gerar imagens falsas e assim manipular fatos, o que se torna um impasse ético e moral para a sociedade. Dessa forma, é imprescindível analisar o poder das IA na criação de mídias, pois estas podem aumentar as chamadas “Fake News”.

Primeiramente, é preciso analisar o poder das IA na criação de mídias. Neste contexto, recentemente foi divulgado por toda internet uma imagem, criada por Inteligência Artificial, do Papa Francisco vestido com roupas luxuosas. Esta ilustração se propagou rapidamente e enganou diversos internautas, que se revoltaram com as roupas “não condizentes para um Papa”. Desta maneira, é percebido o poder que a ferramenta possui e o que esta pode causar aos usuários das redes e, por essa razão, é preciso que se tenha um maior controle sobre ela.

Diante ao supracitado, é visualizado como o programa pode aumentar as chamadas “Fake News”. Segundo o escritor George Orwell em seu livro “1984”, a mídia controla a massa. Sob esse viés, com o desenvolvimento da tecnologia será possível explanar ainda mais conteúdos que não condizem com a verdade e, desta maneira, manipular cidadãos que não possuem discernimento para reconhecer o uso antiético da ferramenta. Dessa forma, é necessário capacitar pessoas para que não sejam mais controlados pela mídia, como aponta Orwell.

Portanto, é indubitável atuar sobre os impasses éticos do uso da Inteligência Artificial. Assim, compete ao Ministério da Educação criar um plano nacional de diferenciação do fato e do fake. Tal ação deverá ocorrer por meio de capacitações disponibilizadas no site oficial do governo e ministradas por especialistas em IA. Nestas capacitações, os cidadãos deverão receber informações sobre a prevenção de notícias falsas e sobre como estas podem se manifestar através das novas ferramentas. Deste modo, ao promover a educação, será possível que as tecnologias voltem a ser instrumentos para a democracia, como defende Pierre Bordineu.