Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial
Enviada em 15/10/2023
A automação de atividades por meio da tecnologia teve um grande salto na Revolução Industrial e, agora, com a chamada inteligência artificial (IA). Sob essa ótica, cabe analisar os impasses éticos e morais no uso dessa ferramenta nas relações humanas. É importante apontar, diante disso, que a problemática se dá tanto pela questão laboral, quanto pela dependência humana às máquinas.
Nesse contexto, nas grandes mídias – cinema, televisão etc. – pouco se fala sobre o problema mais tangível das IAs: o paradigma do trabalho. Decerto, o filósofo e economista Karl Marx afirma que, dentro do modo de produção capitalista, a função de uma máquina é aumentar a concentração de capital para a classe dominante. Desse modo, a inteligência artificial detém a mesma função, pois, tornando certos empregos obsoletos – telemarketing, atendente, ilustrador etc. – há uma maior concentração de riqueza, uma vez que o custo de produção será menor pela demissão destes. Destarte, é necessário pensar antecipadamente alternativas para a realocação de trabalhadores no novo mercado de trabalho.
Outrossim, vale destacar o problema da dependência humana no contexto abordado. Com efeito, em seu livro “Homo Deus”, o historiador israelense Yuval Harari reflete sobre o avanço tecnológico e em sua respectiva afirmação na intermediação das relações humanas. Sem embargo, com a atual ferramenta inteligente o ser humano passa a se tornar ainda mais dependente, de modo que bancos, armazéns logísticos e rotas de companhias aéreas – setores fundamentais para a vida contemporânea – ficam totalmente à mercê de seu funcionamento. Logo, para além de planejar a vida dos trabalhadores realocados, deve-se regulamentar os limites da subordinação humana aos algoritmos inteligentes.
Portanto, medidas devem ser tomadas para solucionar os problemas supracitados. Assim, pode se tornar um ator nessa mudança o governo federal – sendo ele dotado de ferramentas de alcance nacional. Para isso, por meio de um Pacote de Emenda Constitucional, determinaria que as empresas que desejam implementar IAs que resultem na demissão de funcionários devem notificar os empregados no mínimo um ano antes, assim como restringir a implementação nos setores estratégicos. Dessa forma o Brasil lutará por um futuro melhor.