Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 07/10/2023

Em um cenário globalizado, as tecnologias da informação ganham cada vez mais relevância e sua utilização está presente em vários segmentos sociais. Com o notável desenvolvimento da computação e de tecnologias adjacentes, como a inteligência artificial, muitos impasses éticos e morais a respeito de sua utilização se tornaram importantes tópicos a serem debatidos. Nesse contexto, cabe analisar como a falta de responsabilização jurídica e o perigo associado à falta de proteção de dados contribuem para essa problemática.

Em uma primeira análise, vale ressaltar que, no livro “Androides sonham com ovelhas elétricas?”, o personagem Rick Decard, que é responsável por perseguir e “aposentar” os androides, assustado com a perfeição com que esses humanóides são feitos, conjectura se não teria ele, algum dia, matado um ser humano por engano. Hodiernamente, com inteligencias artificiais que dirigem carros e auxiliam médicos em cirurgias o oposto pode ocorrer, isto é, autômatos matarem seres humanos por engano. Nesse contexto, há um grande questionamento sobre quem deverá ser responsabilizado juridicamente por essas fatalidades, se as empresas que desenvolveram essa tecnologia, quem utiliza essas ferramentas ou mesmo os próprios autômatos, o que traz consigo um grande debate de cunho ético e moral.

Ademais, atualmente, a coleta massiva de dados online, que ocorre sem a devida autorização dos usuários, juntamente com a utilização de algoritmos inteligentes, pode acarretar graves problemas sociais, principalmente quando esse conhecimento é utilizado para interferir politicamente em países, haja vista o caso da empresa britânica Cambridge Analytica que, utilizando-se dessas duas ferramentas, conseguiu, comprovadamente, alterar o resultado de eleições em pelo menos 10 países.

Destarte, urge que o Estado, por meio do Ministério da Ciência e Tecnologia, realize fóruns, eventos e palestras, principalmente em locais públicos, que contem com a presença de profissionais da área computacional, filósofos e advogados, para que esses impasses éticos e morais sejam debatidos de forma séria e conjuntamente com a sociedade, com o intuito de conscientizar a população sobre os benefícios e os riscos de se utilizar essa nova tecnologia.