Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 02/11/2023

A Quarta Revolução Industrial – também conhecida como Indústria 4.0 – carac-teriza-se pelo advento da inteligência artificial e pela imersão digital, que simplifi-cou o conhecimento ao redor do mundo. Em contrapartida, no panorama atual brasileiro, há impasses éticos e morais no uso da IA, a qual pode trazer graves con-sequências a todo o corpo social. Com efeito, o problema pressupõe que se comba-ta a maldade atrelada ao uso dessa tecnologia, e a omissão do Estado.

Diante desse cenário, o uso inadequado das IAs evidencia a crueldade do indiví-duo. A esse respeito, Hannah Arendt – expoente filósofa alemã – desenvolveu o conceito de “Banalidade do Mal”, segundo o qual as sociedades modernas praticam condutas cruéis sem perceber. Sob essa ótica, muitos indivíduos utilizam o intelec-to artificial para praticar a maldade denunciada por Arendt, a exemplo de golpes cibernéticos com uso de robôs inteligentes, e plágios de conteúdos autorais – como músicas, documentos, fotos – que causam danos morais e éticos ao corpo social. Assim, percebe-se como o uso inadequado dessa ferramenta promove a vulnerabilidade do cidadão.

Ademais, o Poder Público dá ensejo à manutenção dessa exposição supracitada. Nesse viés, o filósofo italiano Norberto Bobbio denunciou, em sua obra “Dicionário de política”, que as instituições públicas modernas são incapazes de suprir as de-mandas da sociedade. Nesse sentido, o Estado brasileiro se enquadra na crítica feita por Bobbio, haja vista a carência de centros comunitários com computadores custeados pelo Governo, a fim de capacitar a população no manejo dessa nova tecnologia. Logo, torna-se clara a relação negativa entre a inércia estatal, e a susce-tibilidade do cidadão aos impasses éticos e morais das IAs.

Fica evidente, portanto, que as escolas – em parceria com o Ministério da Educa-ção – deve debater acerca do uso ético das IAs. Isso se dará por meio de projetos pedagógicos, como palestras e ações comunitárias realizadas em centros de infor-mática com professores capazes de ensinar a população na prevenção de golpes e plágios com tal ferramenta. Essa iniciativa terá a finalidade de combater o uso im-próprio, e de garantir que a população veja o uso ético e moral da inteligência arti-ficial, em breve, como uma realidade no Brasil.