Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial
Enviada em 22/06/2025
Com o avanço acelerado da tecnologia, a inteligência artificial (IA) tornou-se uma ferramenta amplamente presente na sociedade. No entanto, apesar dos benefícios que oferece, seu uso ainda enfrenta desafios éticos, sobretudo em países como o Brasil, onde a desigualdade social e a ausência de regulamentações dificultam o acesso justo. Dessa maneira, torna-se essencial combater a negligência legislativa e promover uma integração responsável da IA à realidade brasileira.
Nesse cenário, é importante considerar que o acesso à IA ainda é restrito a uma parcela da população. Embora existam ferramentas gratuitas, seu uso demanda dispositivos modernos, conexão à internet e domínio técnico — fatores ainda distantes da realidade de muitas comunidades. Tal exclusão remete à Revolução Industrial, quando os avanços tecnológicos beneficiaram apenas as elites e aprofundaram as desigualdades. Hoje, a exclusão digital repete esse padrão, impedindo a democratização do progresso.
Outrossim, a ausência de regras claras para o uso da IA amplia riscos sociais significativos. Essa lógica é corroborada pelo filósofo Byung-Chul Han, ao alertar que o uso descontrolado da tecnologia pode intensificar invisibilizações sociais. Na prática, essa omissão regulatória permite que algoritmos sejam utilizados em processos seletivos sem supervisão adequada, o que tem gerado rejeições sistemáticas a candidatos negros, com base em vieses históricos. Tal prática contribui para a exclusão desse grupo do mercado de trabalho formal, agravando desigualdades socioeconômicas já existentes.
Diante disso, é imperativo que o Governo Federal elabore normas específicas que regulem o uso ético da IA, por meio de uma comissão formada por especialistas em tecnologia e direitos humanos, a fim de garantir decisões automatizadas transparentes e responsáveis. Ademais, é necessário investir em inclusão digital, com políticas públicas que levem internet de qualidade e educação tecnológica às regiões mais vulneráveis. Assim, será possível transformar a IA em aliada da justiça social, e não em mecanismo de exclusão.