Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 01/08/2025

Para o sociólogo Zygmunt Bauman, a “modernidade líquida” é marcada pela cons- tante transformação e fragilidade das estruturas sociais, o que provoca inseguran- ças e incertezas na convivência humana. Nesse cenário de rápidas mudanças tec- nológicas, a Inteligência Artificial (IA) avança de forma acelerada, frequentemente sem regulamentação adequada, gerando desafios éticos significativos. Além disso, o uso excessivo dessas tecnologias pode comprometer o desenvolvimento das ha- bilidades cognitivas, afetando a capacidade crítica e a autonomia dos indivíduos.

Visto isso, constata-se a existência de uma problemática à mitigar.

Primeiramente, a ausência de regulamentação específica para a Inteligência Arti- ficial potencializa riscos éticos, como a violação da privacidade, a discriminação al- gorítmica e a manipulação de dados pessoais. Essa lacuna legal dificulta o controle sobre o uso dessas tecnologias, permitindo que interesses privados e públicos atu- em sem transparência, ameaçando direitos fundamentais. Assim, a carência de normas claras compromete a construção de um ambiente tecnológico seguro e justo para todos.

Ademais, o uso excessivo da Inteligência Artificial pode levar à diminuição do de- senvolvimento das habilidades cognitivas, uma vez que a facilidade de acesso a res- postas prontas reduz o estímulo ao pensamento crítico e à criatividade. Essa de- pendência tecnológica compromete a autonomia intelectual dos indivíduos, espe- cialmente entre os jovens, que acabam perdendo a capacidade de resolver proble- mas de forma independente e de refletir profundamente sobre informações rece- bidas. Portanto, essa questão representa um importante dilema moral na socieda- de atual, que precisa ser discutido com responsabilidade.

Depreende-se, portanto, das necessidades de combater esses obstáculos, exigin- do a atuação do poder público, que deve elaborar e implementar políticas públicas de regulamentação da Inteligência Artificial, além de promover campanhas educa- tivas que incentivem o uso consciente dessas tecnologias, a fim de garantir a pro- teção dos direitos éticos e o fortalecimento do desenvolvimento cognitivo da popu- lação. Somente assim, será possível minimizar os impasses éticos e morais decor- rentes do uso indiscriminado da Inteligência Artificial na sociedade contemporânea.