Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial
Enviada em 29/07/2025
O filósofo alemão Theodor Adorno, ao refletir sobre os efeitos da cultura de massa, afirmou que “a intolerância é a sombra da ignorância e da omissão”. Dessa forma, essa ideia se mostra cada vez mais atual diante da crescente banalização do discurso de ódio nas redes sociais brasileiras. Insultos, ameaças e ataques baseados em raça, gênero, religião ou orientação sexual tornaram-se frequentes e, muitas vezes, normalizados como simples “opiniões”. Com isso, esse cenário revela a ineficácia do combate a esse tipo de comportamento, fruto da negligência do poder público e da omissão das mídias, que silenciam ou relativizam o problema.
Nesse cenário, a negligência governamental é uma das principais causas da perpetuação desse fenômeno. Além disso, faltam legislações específicas ou ações efetivas de fiscalização e punição contra crimes de ódio praticados virtualmente. Assim, o sociólogo Zygmunt Bauman alerta que a modernidade líquida fragiliza as relações e as responsabilidades coletivas, o que se reflete na postura passiva do Estado diante da violência digital. Como consequência, vítimas de discursos de ódio permanecem desamparadas, e os agressores continuam impunes, fortalecendo um ciclo de impunidade e naturalização da violência nas plataformas digitais.
Diante dos fatos mencionados, a omissão das mídias tradicionais e digitais também contribui para o agravamento do problema. Muitas vezes, esses veículos escolhem não expor os casos de discurso de ódio, tratam o tema com superficialidade ou até mesmo dão espaço para falas preconceituosas em nome da “liberdade de expressão”. Nesse contexto, isso é um reflexo do que o filósofo francês Michel Foucault chamava de “controle discursivo”: o poder de selecionar o que pode ou não ser dito. Também, quando a mídia se cala ou relativiza o ódio, ela valida, mesmo que indiretamente, esses comportamentos e falas. Como resultado, cria-se uma sociedade mais intolerante, polarizada e hostil ao diálogo democrático.
Portanto, o Governo Federal, por meio do Ministério da Justiça, deve elaborar políticas públicas e usar tecnologias para identificar e punir discursos de ódio. Já as mídias precisam promover campanhas educativas que valorizem o respeito e a empatia. Com essas ações, é possível tornar a internet um ambiente mais justo e seguro para todos.