Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial
Enviada em 29/07/2025
No filme “Her”, o protagonista desenvolve uma relação emocional com um sistema de Inteligência Artificial (IA), levantando reflexões sobre o impacto das máquinas nos vínculos humanos. Essa narrativa dialoga com os desafios reais do uso da IA, que, ao mesmo tempo em que oferece benefícios sociais e econômicos, gera dilemas éticos. Nesse sentido, destacam-se dois impasses: a substituição da mão de obra humana por sistemas automatizados e o uso inadequado de dados pessoais por empresas e governos.
Em primeiro lugar, a automação crescente tem gerado a substituição de milhares de postos de trabalho, sobretudo em funções repetitivas. Máquinas inteligentes já desempenham atividades em linhas de produção, atendimento ao cliente e até mesmo diagnósticos médicos. Essa tendência aumenta o desemprego estrutural e a desigualdade social, uma vez que muitos trabalhadores não possuem acesso a qualificação profissional para atuar em áreas tecnológicas.
Além disso, o uso de dados pessoais coletados por sistemas de IA levanta preocupações sobre a privacidade. Plataformas digitais acumulam enormes quantidades de informações sobre os usuários, que podem ser utilizadas de forma inadequada, inclusive para manipulação política ou comercial. A ausência de regulamentação clara agrava esse cenário, tornando os indivíduos vulneráveis a violações de seus direitos.
Diante disso, é imprescindível que o poder público crie políticas que promovam a requalificação de trabalhadores afetados pela automação e que incentive setores capazes de gerar novos empregos. Simultaneamente, leis rigorosas de proteção de dados, como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) no Brasil, devem ser fortalecidas e fiscalizadas. Dessa maneira, será possível equilibrar o avanço tecnológico com a preservação dos direitos sociais e individuais.