Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial
Enviada em 30/07/2025
A inteligência artificial é frequentemente celebrada como o ápice do progresso por revolucionar diversas áreas, como, por exemplo, a medicina e o entretenimento. Em contrapartida, sua ascensão levantam debates morais e éticos, especialmente quando se fala respeito a privacidade, ao desemprego tecnológico, muito dos quais são ignorados em nome do lucro e da conveniência. É evidente que a IA ameaça a autonomia humana, a dignidade do trabalho e até a essência da humanidade. Diante disso, fica claro que a IA não é sinônimo de progresso, mas sim, como uma ameaça à autonomia, à dignidade e ao próprio significado do trabalho humano, assim como o filosofo Günther Anders: “Nossa vergonha prometeica não é mais termos roubados dos deuses, mas termos criado maquinas que nos superam em tudo, exceto na consciência de nossa própria decadência.”.
Em primeiro lugar, a vigilância algorítmica já estabeleceu o que o Shoshana Zuboff chama de Capitalismo de Vigilância, onde nos, como seres humanos, somos vendidos como matéria-prima, e a liberdade humana é o preço a se pagar. Quando usamos sistemas de reconhecimento facial, scoring social, não estamos mais lidando com a tecnologia, mas sim, com a tirania e com o totalitarismo digital.
Além disso, a automação acelerada da IA está destruindo empregos em escala nunca vistas antes, aumentando cada vez mais a desigualdade e a marginalização dos trabalhadores. Fábricas robóticas, atendentes virtuais e até médico automatizado substituem pessoas reais, enquanto bilionários da tecnologia acumulam riquezas exorbitantes. A promessa da IA de criar “novas oportunidades” é uma falácia, a maioria dos trabalhadores não terá como competir com máquinas eficientes e incansáveis, ao invés de um futuro abundante, a IA está nos conduzindo a um pesadelo de desemprego estrutural e dependência de rendas básicas controladas por quem detêm o poder algorítmico das IAs.
Diante desses riscos, é urgente resistir a narrativa de que a IA é inevitável ou benéfica. A verdadeira inovação não está em substituir a humanidade, mas garantir que a tecnologia sirva aos valores coletivos, e não. Caso contrário, seremos escravos de um sistema que não nos vê como pessoas, mas como um obstaculo de sua própria eficiência.