Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 02/08/2025

No universo do filme Matrix (1999), a humanidade vive aprisionada em uma realidade simulada criada por máquinas inteligentes, evidenciando o temor de que a tecnologia, quando não guiada por princípios éticos, possa dominar o próprio ser humano. Em 2021, a UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) entrou com a primeira solicitação global de uma tentativa de criar normas éticas para o uso de inteligência artificial (IA), defendendo a transparência, justiça algorítmica e direitos humanos, mesmo que na época, o uso de IA ainda não era popularizado.

Sob este viés, como todo tipo de tecnologia popular, a inteligência artificial traz questões e pautas populares como propriedade intelectual, privacidade de dados, ética e cibersegurança. Uma discussão ética relevante diz respeito ao uso de imagem de pessoas que já morreram, principalmente em questões de marketing. O debate veio à tona com a criação de uma campanha de publicidade da Volkswagen que, por meio de IA, criou um vídeo da cantora Elis Regina dentro de uma kombi, cantando ao lado de sua filha, Maria Rita, em outro carro da fabricante.

Ademais, conforme alerta o CEO da Apple, Tim Cook, “a IA pode fazer grandes coisas, mas também pode ser usada para coisas terríveis. A responsabilidade é fundamental.” No filme Matrix, é retratada uma sociedade em que as máquinas assumem o controle absoluto, consequência direta da negligência com o uso ético e estratégico da tecnologia. Especialistas como Cook apontam que, sem a devida regulamentação e consciência crítica, corremos o risco de construir um futuro desumanizado, no qual o toque humano será substituído por decisões automatizadas e frias.

Contudo, a própria UNESCO já reconheceu a urgência de regulamentações para garantir o uso ético da inteligência artificial, alertando para os riscos de uma tecnologia que avança mais rápido do que a capacidade humana de controlá-la. Nesse sentido, Matrix deixa de ser apenas uma ficção com uma realidade longínqua, e se torna um espelho crítico de uma realidade que pode se concretizar caso continue sendo negligenciado os limites éticos da IA. Portanto, medidas serão necessárias a fim de mitigar tal problemática.