Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 30/07/2025

No clássico da literatura Frankenstein, de Mary Shelley, o cientista Victor cria uma criatura inteligente, mas se assusta com as consequências da própria invenção. Assim como na obra, o avanço da Inteligência Artificial (IA) na atualidade desperta admiração e, ao mesmo tempo, preocupação. No Brasil e no mundo, a incorporação crescente de IAs em setores diversos da sociedade evidencia desafios éticos e morais urgentes, como a desumanização das relações e a ausência de responsabilização por ações automatizadas.

Em primeiro plano, a utilização da IA sem critérios éticos claros pode reforçar desigualdades e comprometer direitos básicos. Nesse sentido, segundo a filósofa Djamila Ribeiro, a estrutura social brasileira é marcada por desigualdades raciais e sociais, o que se reflete nos dados usados por algoritmos. Assim, uma IA treinada com tais informações pode excluir ou prejudicar ainda mais grupos marginalizados.

Além disso, a falta de legislação específica sobre a IA gera impasses morais quanto à responsabilidade por seus atos. Em suma, a pesquisadora Shoshana Zuboff, em seus estudos sobre capitalismo de vigilância, alerta para o uso da IA na manipulação de comportamentos e na violação da privacidade, o que evidencia a urgência de estabelecer limites éticos concretos.