Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 31/07/2025

No século V a.C., o filósofo Sócrates defendia que o conhecimento sem reflexão pode ser perigoso, pois conduz a decisões sem ética. No contexto atual, essa refle-xão se torna essencial diante do avanço da Inteligência Artificial (IA), uma tecnologia que, embora traga benefícios, também gera sérios impasses éticos e morais. Entre eles, se destacam o uso indevido de dados e a substituição de trabalho humano. Diante disso, é necessário promover a conscientização sobre os limites éticos dessa inovação tecnológica e suas implicações para a sociedade.

Sob esse prisma, no clássico romance “1984”, George Orwell imaginou uma socie-dade controlada por um “Grande Irmão”, que tudo via e tudo sabia. E atualmente, com o crescente uso da IA, em diversas áreas, desde a segurança, com câmeras au-tomáticas, até a comunicação, com as mensagens automatizadas (muitas vezes uti-lizadas em sites de empresas), a distopia literária parece se aproximar da realidade. Mas apesar de vantajoso [o uso de IA], esse cenário também acarreta: a vigilância em massa e a exclusão social, que colocam em xeque os direitos individuais e a privacidade, tendo em vista que uma máquina não sabe o que é certo ou errado.

Ademais, de acordo com o Fórum Econômico Mundial, até 2027, mais de 80 mi-lhões de empregos poderão desaparecer devido à automação por Inteligência Arti-ficial (IA). Dessa forma, o uso de IA ameaça empregos em setores como indústria, atendimento, transporte e até áreas intelectuais. Como consequência, a automação pode agravar a desigualdade social e aumentar o desemprego estrutural. E sem políticas públicas de requalificação, há risco de maior concentração de renda e agravamento das disparidades sociais, reforçando a necessidade de uma regulação ética da IA.

Portanto, é fundamental que o Estado, por meio do Ministério da Ciência e Tecno-logia, elabore políticas de regulação e fiscalização do uso da IA, garantindo que seu desenvolvimento respeite os direitos humanos. Além disso, o Ministério da Educa-ção deve promover programas de requalificação profissional, a fim de preparar a população para as novas demandas do mercado. Assim, será possível alinhar o a-vanço tecnológico à justiça social.