Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 31/07/2025

Na obra norte-americana “Matrix”, os seres humanos vivem em uma realidade simulada criada por inteligência artificial, enquanto os seus corpos são usados como fonte de energia. Nesse contexto, a ideia de que a tecnologia venha dominar o mundo levanta um alerta sobre a falta de ética, responsabilidade e cuidados com os impactos sociais. A partir disso, cabe apontar como propulsores do revés a dependência excessiva dessas tecnologias e a omissão na educação digital.

A partir dessa breve contextualização, a dependência das inteligências artificiais sobressai como agravante do impasse. Sobre isso, a composição, “Admiravél Gado Novo” de Zé Ramalho, retrata uma crítica à sociedade, mostrando que o corpo social age como “gado”, sendo levado por influência e sem pensamento crítico. Sob essa óptica, a perda de autonomia e do pensamento crítico dos cidadãos, que aceitam de forma passiva as recomendações de algoritmos, faz com que essa parcela torne-se um “rebanho” que “ainda faz da fé sua força”.

Ademais, a omissão na educação digital amplifica os impasses éticos e morais no uso dessas tecnologias. A respeito disso, a ausência de uma educação que desenvolva o pensamento crítico, como propunha Paulo Freire, faz com que os indivíduos aceitem as imposições da IA como verdades absolutas. No contexto atual, grande parte da população brasileira não possui acesso a uma formação que estimule a reflexão sobre o uso ético da tecnologia. Essa lacuna educacional contribui para que decisões automatizadas sejam aceitas passivamente.

Portanto, necessita-se da adoção de medidas que venham minimizar a dependência excessiva de IA e a omissão na educação digital. Para isso, o Ministério da Educação - responsável por elaborar diretrizes curriculares - deve criar um programa de letramento digital nas escolas públicas, por meio da formação de professores e desenvolvimento de materiais, a fim de incentivar o uso consciente da IA entre os jovens. Paralelamente, o Governo Federal - responsável por políticas públicas - deve lançar junto a empresas digitais uma campanha de conscientização sobre os riscos da dependência tecnológica, por meio de vídeos e posts, a fim de estimular o pensamento crítico e o uso equilibrado da tecnologia.