Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial
Enviada em 01/08/2025
Conforme aponta a filósofa brasileira Djamila Ribeiro, o primeiro passo para solucionar um problema é tirá-lo da invisibilidade. Nesse sentido, é possível observar que os impasses éticos e morais do uso da Inteligência Artificial (IA) ainda são pouco debatidos no Brasil, apesar de seu impacto direto na vida das pessoas. Essa realidade está atrelada, sobretudo, à falta de regulamentação estatal e à maneira como os meios de comunicação naturalizam o uso da tecnologia, comprometendo valores fundamentais como a privacidade e a equidade.
Em primeiro lugar, a omissão do poder público contribui para o uso indevido da Inteligência Artificial. Segundo o filósofo John Locke, “as leis foram feitas para os homens, e não os homens para as leis”, o que demonstra a importância de adaptar as legislações às novas realidades sociais. Entretanto, a ausência de políticas específicas permite que empresas e instituições utilizem algoritmos de forma opaca, muitas vezes sem critérios éticos. Com isso, ocorrem violações de direitos, como a exposição indevida de dados pessoais e a exclusão de indivíduos em sistemas automatizados.
Além disso, os meios de comunicação desempenham um papel problemático ao reforçar uma imagem positiva e neutra da Inteligência Artificial. De acordo com a escritora Chimamanda Adichie, mudar o “status quo” é sempre penoso, o que se aplica à resistência social em discutir os riscos das novas tecnologias. Ao exaltar os benefícios da IA sem considerar seus prejuízos, a mídia contribui para o silenciamento de questionamentos importantes e para a desinformação da população sobre seus direitos digitais.
Diante disso, faz-se necessário que o Governo Federal, por meio do Congresso Nacional, crie legislações específicas para o uso ético da Inteligência Artificial, fiscalizando seu cumprimento e protegendo os dados dos cidadãos. Ademais, é papel dos meios de comunicação promover campanhas educativas que incentivem o pensamento crítico sobre as novas tecnologias, com o apoio de especialistas da área. Dessa forma, será possível retirar essa questão do campo da invisibilidade e garantir que o progresso digital caminhe ao lado da justiça social.