Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial
Enviada em 02/08/2025
A ascensão da Inteligência Artificial (IA) marca uma nova era de inovações que impactam desde serviços básicos até decisões complexas em áreas como saúde e segurança. No entanto, apesar dos benefícios, o uso desenfreado dessa tecnologia levanta dilemas éticos e morais urgentes. A falta de regulamentação adequada, os preconceitos reproduzidos por algoritmos, a desumanização das relações, o domínio dos dados por poucas empresas e a ausência de educação digital crítica agravam esse cenário.
Segundo a UNESCO (2021), apenas 16% dos países têm diretrizes éticas sobre IA, o que permite decisões automatizadas sem supervisão. Além disso, pesquisa do MIT revelou que sistemas de reconhecimento facial apresentam erro de 34,7% em mulheres negras, contra 0,8% em homens brancos, evidenciando que a tecnologia pode reforçar desigualdades sociais, como alertava Simone de Beauvoir ao criticar a padronização masculina como universal.
Outro impasse é a substituição do contato humano por máquinas em áreas que exigem empatia, como saúde e educação. A filósofa Martha Nussbaum defende que apenas seres humanos compreendem nuances emocionais, o que algoritmos ignoram. Soma-se a isso a concentração de dados em empresas como Google e Amazon — responsáveis por mais de 75% da IA comercial, segundo a McKinsey (2023) —, o que ameaça a soberania informacional.
Por fim, a falta de preparo da população agrava os riscos. De acordo com o Cetic.br (2022), só 23% dos jovens brasileiros aprendem sobre ética digital na escola. Diante disso, é urgente que o Estado aprove uma legislação específica para o uso da IA, garantindo transparência e justiça. Além disso, o Ministério da Educação deve incluir temas de ética e tecnologia nos currículos escolares. Assim, o avanço digital poderá caminhar em sintonia com os valores humanos fundamentais.