Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 01/08/2025

A obra literária Frankenstein, de Mary Shelley, é uma parábola sobre a criação desprovida de responsabilidade, cenário que ecoa no século XXI com a ascensão da Inteligência Artificial (IA). Embora a IA prometa avanços na medicina e na otimização de serviços, sua implementação desordenada suscita impasses éticos e morais complexos. A falta de um marco regulatório e a replicação de vieses sociais nos algoritmos são as principais ameaças que podem transformar essa tecnologia em um vetor de desigualdades e riscos à dignidade humana.

Em primeiro lugar, a IA reproduz e amplifica preconceitos humanos. Como os algoritmos são treinados com dados provenientes da sociedade, que historicamente é desigual, eles tendem a perpetuar esses vieses. Por exemplo, sistemas de reconhecimento facial podem apresentar menor precisão com pessoas de pele negra, e algoritmos de contratação podem desfavorecer currículos de mulheres para certas profissões. Dessa forma, a tecnologia, em vez de ser uma ferramenta de equidade, torna-se um espelho que reflete e amplifica as mazelas sociais, reforçando a segregação e a exclusão em um ciclo vicioso.

A falta de regras sobre a responsabilidade de sistemas autônomos, como carros que dirigem sozinhos, cria um problema sério: quem é o culpado em caso de acidente? O desenvolvedor, o dono do carro ou a própria máquina? Para resolver isso, a ética precisa ser pensada desde a criação da Inteligência Artificial (IA), com um “código de conduta” para prever essas situações.