Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 01/08/2025

No episódio “White Christmas” da série Black Mirror, narra como a IA, ao ser usada para replicar consciências humanas, levanta dilemas profundos sobre a noção de identidade, punição e livre-arbítrio. Apesar dos avanços sociais, pode-se estabelecer que a obra retrata questões ainda presentes na sociedade contemporânea brasileira, especialmente no que diz respeito aos impasses éticos e morais do uso de tecnologias baseadas em inteligência artificial. Nesse viés, é possível notar que a problemática se desdobra por meio da negligência governamental e da carência de letramento digital da população.

Sob essa perspectiva, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais que regulem o desenvolvimento e a aplicação de tecnologias. De acordo com o filósofo Paulo Freire, “a inclusão acontece quando se aprende com as diferenças e não com as semelhanças”. Todavia, no contexto atual, a inércia do governo para estabelecer diretrizes legais sobre os limites éticos tem potencializado violações de privacidade, discriminações automatizadas e apagamento de direitos individuais. Dessa forma, enquanto o órgão público negligenciar seus cidadãos, o impasse perdurará e os direitos continuarão a ser rejeitados.

Por conseguinte, outro fator que contribui de forma significativa para a problemática é a saúde mental. Conforme dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o uso excessivo de tecnologias baseadas em IA, como sistemas de recomendação em redes sociais, tem sido associado ao aumento de ansiedade e depressão, especialmente entre jovens. Sob esse viés, resulta em alienação digital e perda de autonomia crítica, tornando-se evidente que a manipulação algorítmica das emoções humanas dificulta a construção de uma sociedade digitalmente consciente e igualitária.

Portanto, são essenciais medidas operantes para assegurar o uso ético e responsável da inteligência artificial. Para isso, cabe ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, por meio da oferta de marcos regulatórios específicos para IA e fiscalização de empresas que utilizam algoritmos sensíveis, além de providenciar palestras e campanhas educativas sobre ética digital nas escolas e universidades.