Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 02/08/2025

A obra cinematográfica “Ex Machina” a criação de um robô com inteligência quase humana gera conflitos sobre até que ponto a tecnologia pode ultrapassar limites morais sem colocar em risco a própria essência da humanidade. No entanto, infelizmente tal conjuntura não se resume às telas, já que hodiernamente o avanço da Inteligência Artificial levanta impasses éticos e morais, como a invasão de privacidade e a substituição de decisões humanas por sistemas automatizados.

Em primeira análise, a IA pode ameaçar a privacidade das pessoas, já que ela funciona a partir da coleta e análise de grandes quantidades de dados. Dessa forma, muitas vezes essas informações são usadas sem que o usuário saiba, permitindo que empresas e até governos influenciem comportamentos ou controlem ações de forma pouco transparente. Quanto a isso, de acordo com a UNESCO, esse uso descontrolado de dados fere direitos básicos de liberdade e segurança, o que cria um grande dilema ético, pois transforma pessoas em “números” e não em cidadãos conscientes de suas próprias escolhas.

Além disso, existe o risco de que a Inteligência Artificial substitua decisões que deveriam ser feitas por humanos. Nesse sentido, isso já acontece, em hospitais que utilizam softwares para indicar tratamentos e até no sistema de Justiça, onde programas calculam a chance de um réu voltar a cometer crimes. Entretanto, o problema é que as máquinas não têm a sensibilidade humana para avaliar cada situação de forma justa, podendo reproduzir preconceitos e erros. Diante desse cenário, a filósofa Hannah Arendt já alertava que, quando as pessoas deixam de assumir responsabilidades morais, a sociedade começa a normalizar injustiças algo que pode piorar com essa questão das máquinas.

Portanto, para que a tecnologia seja usada de forma ética, cabê ao Governo Federal, juntamente a especialistas da área, criar leis específicas que limitem o uso de dados pessoais e tornem os algoritmos mais transparentes. Ademais, instituições de ensino e mídias sociais devem promover programas de educação digital crítica, ensinando a população a compreender e fiscalizar essas ferramentas. Dessa forma, será possível aproveitar os benefícios da Inteligência Artificial sem comprometer valores humanos, promovendo o desenvolvimento tecnológico.