Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 02/08/2025

“Os fatos não deixam de existir só porque são ignorados”. A declaração realizada pelo escritor e filósofo inglês Aldous Huxley, ao ser analisada sob a atual conjun-tura do país, permite refletir sobre como os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial estão sendo negligenciados no tecido social brasileiro, pois afetam a forma como decisões são tomadas em áreas como saúde, segurança e justiça. Nesse sentido, fatores como a falta de regulamentação específica em consonância com a falta de preparo da população digitalmente não podem ser desprezados, visto que são os principais elementos relacionados com a problemática.

Desde a Revolução Digital, que marcou o avanço das tecnologias da informação no século XX, novas ferramentas passaram a influenciar diretamente o modo de viver, interagir e decidir. Contudo, é importante salientar que esse avanço não veio acompanhado de um debate ético proporcional, o que gerou lacunas graves no uso da Inteligência Artificial. Casos como o de algoritmos discriminatórios em sistemas de reconhecimento facial e decisões automatizadas em processos judiciais revelam um cenário alarmante.

Somado a isso, vale ressaltar que a falta de preparo da população em lidar criti-camente com o funcionamento da IA é outro elemento que intensifica os dilemas éticos no uso dessa tecnologia. De acordo com o relatório da UNESCO (2021), mais de 60% dos cidadãos em países em desenvolvimento não sabem diferenciar con-teúdos gerados por humanos dos produzidos por IA, o que agrava o risco de mani-pulação, desinformação e decisões inconscientes. Isso mostra que a população brasileira está diante de uma situação extremamente delicada.

Desse modo, é importante que o Estado tome providências para alterar o quadro atual. Para garantir o uso ético e responsável da Inteligência Artificial, urge que o Congresso Nacional aprove um marco legal específico para regular seu uso, por meio de consultas públicas e participação de especialistas em ética, ciência da com-putação e direitos humanos. Além disso, as escolas devem implementar uma edu-cação digital crítica e obrigatória no currículo, capacitando os jovens para compreenderem os impactos sociais da tecnologia.