Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 02/08/2025

No clássico literário “Frankenstein”, de Mary Shelley, um cientista cria uma criatura com vida própria e, posteriormente, perde o controle sobre ela. Essa narrativa, embora ficcional, dialoga com os impasses atuais do uso da Inteligência Artificial (IA), uma tecnologia que, ao ser programada para simular a inteligência humana, levanta debates sobre seus limites éticos e morais.

Em primeiro plano, é válido destacar que os sistemas de IA reproduzem e, por vezes, amplificam preconceitos sociais existentes, já que aprendem a partir de dados históricos, os quais podem estar enviesados. Um exemplo emblemático ocorreu nos Estados Unidos, onde um algoritmo utilizado pelo sistema judiciário para prever reincidência criminal apresentava tendência a classificar pessoas negras como mais perigosas do que brancas. Tal ocorrência evidencia que a Inteligência Artificial, quando utilizada sem a devida supervisão ética, pode comprometer princípios fundamentais como a igualdade e a justiça. Além disso, a substituição de decisões humanas por decisões automatizadas impõe desafios morais complexos. Em setores como a saúde, por exemplo, há aplicativos capazes de diagnosticar doenças com base em sintomas relatados.

Outro ponto preocupante diz respeito à privacidade. A coleta massiva de informações pessoais por sistemas de IA, muitas vezes sem o consentimento claro dos usuários, fere o direito à intimidade e ao controle sobre os próprios dados. Conforme alertado pelo filósofo sul-coreano Byung-Chul Han, a sociedade contemporânea vive uma crise de liberdade diante da hipertransparência e do controle digital. Portanto, a ausência de regulamentações rigorosas pode transformar a IA em um instrumento de vigilância e manipulação.

Faz-se necessário garantir que o uso da Inteligência Artificial ocorra de forma ética, justa e segura