Os limites entre o erro médico e a responsabilidade criminal
Enviada em 01/09/2019
A medicina é uma das profissões mais antigas da história humana e, além disso, é essencial na sociedade. Contudo, os progressivos erros médicos são um verdadeiro impasse para o bem-estar dos cidadãos. Nesse sentido, é válido entender como a má formação dos profissionais e a negligência com a vida do próximo colaboram para o aumento de tal problemática.
De início, sabe-se que o número de profissionais da saúde, inclusive de médicos, é elevado a cada ano. Isso ocorre porque inúmeras instituições estão sendo abertas e, em consequência, atraem as pessoas pela facilidade de ingresso no ensino superior, principalmente, na medicina que é, ainda, muito prestigiada socialmente. Sob esse aspecto, de acordo com dados do Conselho Federal de Medicina (CFM), há cerca de quase 400 mil médicos formados em vigência no Brasil. Logo, com um número significativo de pessoas nas faculdades existe uma enorme dificuldade do Estado em garantir que haja uma formação adequada para todos os universitários e, assim, diversos médicos começam a trabalhar sem o conhecimento necessário para atender da melhor forma os pacientes.
Outrossim, percebe-se que há uma enorme negligência e uma exacerbada falta de ética em vários médicos do país. Isso decorre, em muitos casos, de uma “robotização” de sentimentos promovida nas universidades. Sob essa ótica, um exemplo claro da falta de empatia com a vida do próximo foi o que ocorreu durante a Segunda Guerra Mundial, visto que muitos médicos usavam humanos para experimentos científicos. Destarte, de forma análoga, existem médicos que não se importam de fato com a melhoria do paciente e, dessa maneira, diversos diagnósticos são errados e várias mortes que poderiam ser evitadas acontecem em altos números.
Nota-se, portanto, que erros médicos enquadrados como crime são rotineiros na sociedade brasileira. Assim sendo, para amenizar tais adversidades cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com o Conselho Federal de Medicina, fiscalizar com maior ênfase as instituições de ensino e os profissionais formados, através de visita à infraestrutura da universidade e a aplicação de provas específicas para os médicos com maior frequência, com o intuito de mitigar os erros acometidos aos cidadãos. Ademais, ainda é função do Ministério da Saúde, promover palestras e ações de aproximação médico-paciente, por meio de visitas dos profissionais nas comunidades que atuam e estabelecimento de um maior tempo limite com o paciente no consultório, a fim de conhecerem melhor a família do indivíduo enfermo e, dessa maneira, propiciar condições de um desenvolvimento humanitário e eficaz para toda população.