Os limites entre o erro médico e a responsabilidade criminal
Enviada em 06/09/2019
Em Auschwitz, na Polônia, o médico Josef Mengele realizou experiências com judeus e passou a cometer diversos erros nesses indivíduos. Na atualidade, tal situação não acontece, contudo profissionais que lidam com vidas, em sua grande maioria, não são responsabilizados como deveriam por causarem danos em pacientes. Isso ocorre não só pelo corporativismo, como também pelo judiciário lento.
Inicialmente, um entrave a essa situação é a grande associação de pessoas que trabalham com saúde, como por exemplo médicos, os quais agem com o instinto de proteção uns com os outros quando ocorre algum erro, de maneira que a população é quem sofre as consequências, em alguns casos, para o resto da vida. De fato, tal atitude relaciona-se com o conceito de banalidade do mal , trazido pela socióloga Hannah Arendt: quando uma atitude agressiva ocorre constantemente, as pessoas passam a vê-la como errada. Nesse sentido, de tanto ocorrer esses equívocos médicos, o povo se acostumou e acha que se trata de casos normais da medicina e não procuram a justiça para a punição adequada.
Além disso, a lentidão no sistema jurídico corrobora para que casos de negligência, imprudência e imperícia na área médica não sejam punidos como deveriam, de forma que processos acumulam-se nos tribunais e a comunidade continua a mercê dos profissionais mal qualificados.De acordo com a revista Superinteressante, mais de seis mil e quinhentos processos são dedicados a cada juiz por ano. Dessa forma, nota-se que a sociedade necessita de apoio para ter uma saúde de qualidade, conforme prega a Constituição Federal do Brasil de 1988(CF).
Destarte, principalmente médicos, quando erram, não sofrem sanções de forma adequada. Logo, o Ministério da Saúde deve realizar vistorias e pesquisas no hospitais por intermédio de profissionais íntegros e observar os prontuários com maior cautela para concluir a causa dos diversos erros médicos cometidos e punir, na forma da lei, todos os que praticarem esses crimes. Ademais, o povo, por meio de manifestações pacíficas, precisa cobrar o cumprimento das leis de maneira rápida visando a melhoria da qualidade de vida de todos. Pois, somente assim se construirá uma sociedade diferente daquela vista em Auschwitz.