Os limites entre o erro médico e a responsabilidade criminal

Enviada em 08/09/2019

“Guerra improvável, paz impossível”, Raymond Aaron disse e resumiu a Guerra Fria. Porém, em um contexto sócio-histórico onde a atuação médica mudou ao longo do tempo e o Estado não acompanhou em medidas, é claro que o sociólogo francês resumiu também a questão do erro médico e a responsabilidade criminal no Brasil. Isso, no entanto, levanta a seguinte pergunta: como o Brasil, um país que tem o modelo de saúde pública elogiada internacionalmente, pode pecar no tratamento médico?

Com base em pesquisas do Ministério da Saúde, pode-se ter até um sistema de pública exemplo, entretanto, o mesmo sistema precisa ser avaliado para que assim possa oferecer o melhor tratamento. Assim, a responsabilidade criminal vai além do que deveria ser limitada, já que, embora o Sistema Único de Saúde(SUS) seja excepcional, o Brasil falha em construir redes hospitalares de qualidade para sua sociedade, correndo o risco de ser um fato exponencial no erro médico.

Nessa perspectiva, a relação médico-paciente já não é mais a mesma que 100 anos atrás e agora temos especialistas sem conhecer detalhadamente a vida e rotina de seus pacientes, visto que não carregam consigo a vivência de estarem próximos de quem precisa dos seus cuidados além do que o espaço hospitalar permite. Por conseguinte, a medicina evoluiu e dividiu-se, dificultando que laços de pessoalidade ultrapassem os limites já estabelecidos pela modernidade.

Dessa forma, Raymond Aaron não errou em dizer que a paz é impossível já que o Estado aliado a sociedade colaboram para os erros no sistema médico. É preciso, portanto, que a sociedade como um todo pressione o Ministério da Saúde por investimentos na melhora no sistema hospitalar e proximidade na relação médico-paciente de modo que o programa Mais Médicos vinha conseguindo através da implementação de médicos da família nos lugares mais afastados e consequentemente onde ocorrem mais falhas, através das redes sociais e manifestações. Ademais, cabe as mídias de massa organizarem-se como um apoio a sociedade civil na luta para que a saúde seja levada a sério, considerando que seja uma luta de todas as esferas sociais.