Os limites entre o erro médico e a responsabilidade criminal

Enviada em 09/09/2019

Limites entre erro e responsabilidade criminal médica

Há uma máxima entre estudantes de medicina que diz: “nem sempre, nem nunca”; posto isto, sabemos que todo caso terá os mais diversos diagnósticos e muitas vezes não são precisos por se tratarem de uma condição rara. Uma série da Netflix mostra o caso da médica Lisa Sanders que tem uma coluna no The New York Times onde expõe pacientes com doenças raríssimas que já buscaram diversas opiniões e tratamentos que não foram eficientes, assim, colocados os sintomas em jornal de circulação mundial é possível encontrar, até mesmo, pessoas com os mesmos sintomas buscando as mesmas respostas.

Condições raras são difíceis de tratar, ainda mais quando os sintomas apresentados não se parecem com nada já visto na literatura da medicina, é quando se dá uma busca constante por alguma explicação para os sintomas incomuns a cada paciente, o que se torna um verdadeiro quebra-cabeças para os mais diversos profissionais da área médica e também uma área limítrofe entre o erro e a cura. Daí também vem a difícil decisão do paciente e da família de submeter-se a tal cirurgia ou tratamento. Decisões e avisos do tipo " - Você pode morrer na mesa de cirurgia." são comuns em casos raros e de difícil aceitação para quem assina um papel autorizando o procedimento.

No caso da coluna da Dra. Lisa Sanders se tem o máximo de “massa encefálica” pensando em um mesmo assunto, em uma mesma cura, pessoas compartilhando os mesmos sintomas e dificuldades. Ter esse tipo de recurso para doenças raras é de grande importância para médicos e pacientes, é uma segurança a mais no limiar da falha e da vitória; porém sabe-se que o acesso a esse tipo de método ainda é algo limitado e muitos pacientes se submetem ao que têm em busca da cura.

O fato é que a falha médica existe sim, o ser humano é falho e os médicos não são deuses, porém deve-se observar as causas e os casos. A medicina é uma das áreas mais sensíveis a todo tipo de erro, portanto, há de se ponderar sobre tratamentos indicados, diagnósticos com base em dados plausíveis, etc. O acesso a internet hoje deve ser usado como ferramenta, não apenas para a Dra. Lisa Sanders, mas também para os casos mais graves. O erro humano faz parte de todo o processo, porém deve ser avaliado individualmente levando-se em consideração o caso e os tratamentos propostos, também há de ser ter segurança em relação ao médico para que se possa ter total entendimento do que é recomendado; desta forma, diminuiria-se os casos de processos e vidas perdidas em vista de procedimentos feitos de forma errônea.