Os limites entre o erro médico e a responsabilidade criminal

Enviada em 08/09/2019

O seriado de televisão “Grey’s Anatomy” relata o dia-a-dia de jovens médicos que lidam com a pressão da responsabilidade de sua profissão, mostrando em diversos momentos situações onde a habilidade profissional dos personagens seria crucial para a sobrevivência do paciente. Em paralelo com a ficção, muitos jovens se inspiram no caráter heroico da medicina e decidem ingressar no mercado com a melhor das intenções: salvar vidas. No entanto, esse desejo não é suficiente quando  não possuem a base teórica sólida necessária e cometem erros não intencionados.

Primeiramente, é importante entender que a falha médica acontece devido à duas razões: por negligência ou imperícia. Quando ocorre a negligência, entende-se que o médico conhece meios de resolver a situação, no entanto não o faz e deve ser punido de acordo, como foi o caso do cantor Michael Jackson, que morreu por excesso de medicamentos prescritos. Já quando o caso é de imperícia, o profissional não possui conhecimentos suficientes para propor uma cura ao paciente, e seu julgamento se torna passível de injustiça. Por causa da falta de capacitação, mais de um quarto dos casos de erro médico acontecem devido à incapacidade cognitiva e quase metade a envolvem, de acordo com o Institute of Medicine, o que demonstra a expressividade desse tipo de problema.

Também é imperioso destacar a quantidade excessiva de faculdades que oferecem o curso de medicina sem a devida estrutura, apenas para alimentar o mercado movimentador de ao menos 300 mil reais por diploma emitido. Somente no Brasil, existem hoje mais de 200 instituições que oferecem a formação para médicos, sendo dois terços delas criadas nos últimos 18 anos, ou seja, não possuem a tradicionalidade exigida na instrução de profissionais com o papel de lidar com vidas. Além disso, para cada 25 mil formados ao ano, apenas 6 mil vagas de especialização são oferecidas, uma desproporcionalidade escrupulosa. Por esse motivo, a sociedade põe no mercado cada vez mais doutores com formação pouco sólida e suscetíveis de cometerem erros que põem em risco a vida do ser humano.

Diante dessas considerações, é preciso agir com urgência na raiz do problema, isso é, a formação do profissional da medicina. Para tanto, é mister que o Ministério da Educação melhore o processo de formação dos jovens médicos, por meio do enrijecimento das regras de qualidade das faculdades aptas à oferecerem o curso de medicina e da criação de mais vagas de especialização, a fim de agregar conhecimento teórico a um maior número de recém-formados. Dessa forma, espera-se que com um bom embasamento teórico, os profissionais se tornem cada vez mais capacitados e diminuam-se os casos de erros por imperícia que definem a linha tênue entre o crime e o erro natural do homem.

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michael jackson

tese: nois num sabe tratar a impericia

medicos nao especializados no mercado