Os limites entre o erro médico e a responsabilidade criminal
Enviada em 27/09/2020
O conceito de entropia, da Física, mensura o grau de desordem em um sistema termodinâmico. No entanto, fora das Ciências da Natureza, no que concerne a falta de limites dos erros médicos e a sua responsabilidade criminal, percebe-se a configuração de um problema entrópico, em virtude do caos presente na questão. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em função dos muitos jovens que cursam medicina pensando apenas no retorno monetário que a profissão traz e também da insuficiência legislativa que assegurem os pacientes.
Convém ressaltar, a princípio, que a priorização de interesses financeiros é um fator determinante para a persistência do problema. Nos dias atuais, o que se vê é uma onda de estudantes que cursam medicina apenas por status ou por dinheiro e por isso, formam-se profissionais que não gostam realmente do que fazem ou trabalham sem dedicação e respeito pelos pacientes. Com tais características, esses médicos estão mais propensos a envolverem-se em erros clínicos e podem tornar-se criminosos. Essa adversidade pode ser comprovada através de uma pesquisa da Faculdade Federal de Minas Gerais (UFMG), que mostra que o erro médico mata mais que o câncer no Brasil, com dois mortos a cada 3 minutos. O que evidencia o despreparo dos profissionais.
Além do mais, ressalta-se que a insuficiência legislatória também se configura como um entrave no que tange á questão da irresponsabilidade criminal nos erros médicos. O filósofo John Locke defende que “As leis fizeram-se para os homens e não para as leis”. Ou seja, ao ser criada uma, é preciso que ela seja planejada para melhorar a vida das pessoas em sua aplicação. No entanto, na questão das falhas médicas, a legislação não tem sido suficiente para a resolução do problema.
Portanto, indubitavelmente, medidas são necessárias para resolver esse problema. Para esse fim, é preciso que ONGs, em parceria com mídias de grande acesso, criem campanhas nas redes sociais que façam a sociedade repensar a priorização de seus interesses financeiros. Tais campanhas devem refletir a atuação desses interesses na irresolução dos erros irresponsáveis na medicina e a responsabilidade criminal, para que os médicos possam decidir criticamente quais são as prioridades que promovem um bem-estar coletivo, e também possam repensar que um erro pode tirar a vida de uma pessoa.