Os limites entre o erro médico e a responsabilidade criminal

Enviada em 23/09/2020

De acordo com o pensador George Orwell, “a mídia controla a massa”. Na hodiernidade, isso tem sido corroborado, principalmente, pelo aumento da busca de ajuda de profissionais da saúde: seja para o bem-estar, seja para integrar ao padrão de beleza imposto pela sociedade. Entretanto, o aumento dessa procura tem causado uma série de negligências médicas que possuem suas raízes na avidez por avanços na medicina e na má-formação de médicos.

A soberba em progredir na saúde tem sido um grande problema. O profissional de medicina tem, por direito, a liberdade de buscar maneiras de ajudar a população na saúde. Todavia, esse meio não tem tido uma boa finalidade: a pressa em revolucionar no campo da saúde deve-se, muitas vezes, à necessidade de reconhecimento profissional e financeiro. Nesse sentido, muitos médicos, por ambição, ousam pôr a vida de pacientes em risco. Este argumento comprova-se no caso da bancária Lilian Calixto, vítima de procedimentos estéticos malsucedidos pelo doutor Denis Cesar Barros Furtado, conhecido como “Doutor Bumbum”.

A grande demanda de formandos em medicina transformou-se em um grande percalço. Nesse segmento, o mercado de trabalho no ramo da medicina tem se tornado saturado e precário. Devido ao legado histórico-cultural, implantou-se no corpo social que apenas médicos alcançam a tão sonhada realização pessoal. Devido a isto, muitas faculdades, que não possuem a devida estrutura para arcar com o curso, têm incrementado em suas listas de graduação o curso de medicina, visto que a procura é significativa. Porém, muitas instituições de ensino têm lançado no mercado de trabalho profissionais antiéticos e com uma má-capacitação, pondo em risco a vida de muitos indivíduos.

Diante dos argumentos supracitados, é notório a urgência de uma maior e melhor fiscalização nos hospitais. É necessário que a VISA (Vigilância Sanitária) faça anualmente uma avaliação rígida e criteriosa em hospitais - sejam eles públicos ou privados - para qualificar a capacitação médica dos profissionais atuantes. Considera-se indispensável que o Poder Legislativo tipifique e codifique no Código Comercial leis que punam instituições privadas de aditarem o curso de medicina se não tiverem os devidos critérios para a inserção da graduação. Por fim, depreende-se, também, que a família assuma um papel primordial na base educacional e ética de seus filhos, alertando-os sempre da importância e responsabilidade de um médico. Não são carros importados ou casas exuberantes que definem um clínico; é a sua prudência em entender que muito mais do que o dinheiro, são vidas que importam.