Os limites entre o erro médico e a responsabilidade criminal

Enviada em 11/07/2023

“ A insatisfação é o primeiro passo para o progresso de um homem ou de uma

nação." A afirmação, atribuída dramaturgo irlandês Oscar Wilde, pode facilmente ser aplicada a falta de limites entre o erro médico e a responsabilidade criminal, já que é justamente a falta de incômodo social diante dessa vicissitude que a consolida como um regresso para a nação brasileira. Assim, percebe-se a necessidade de estabelecer um parâmetro com relação os erros cometidos nos hospitais e a responsabilidade que deve ser assumida por eles.

Em primeiro lugar, é fundamental reconhecer que a prática médica é complexa e permeada por uma série de variáveis, incluindo fatores individuais, técnicas avançadas e pressões do ambiente hospitalar. Erros podem ocorrer mesmo nas circunstâncias mais cuidadosas, devido à natureza humana e à imprevisibilidade de certas condições médicas. Nesse sentido, é necessário distinguir entre erros genuínos e negligência grave, para evitar uma criminalização excessiva da profissão médica.

Em segundo lugar, a responsabilidade criminal no contexto médico deve ser avaliada com base em critérios rigorosos. A ação ou omissão negligente do profissional de saúde deve ser claramente comprovada, levando-se em consideração os protocolos estabelecidos, os conhecimentos científicos disponíveis e as normas éticas da prática médica. Apenas quando houver evidências convincentes de uma conduta imprudente e intencional, que resulte em danos graves ou óbito, é justificável considerar a responsabilidade criminal.

Portanto, é necessário promover justiça para as vítimas, evitando a criminalização excessiva das práticas médicas. Com isso, sistema de justiça deve promover a busca por soluções alternativas, como a responsabilização civil e aprimoramento das políticas de segurança do paciente. Essas abordagens podem contribuir para a prevenção de erros futuros, a compensação adequada às vítimas e a promoção de melhorias no sistema de saúde como um todo. A busca contínua por melhores práticas, transparência e comunicação eficaz entre médicos e pacientes também desempenham um papel fundamental na prevenção de erros médicos e na promoção de uma sociedade saudável e justa.