Os perigos da alienação parental

Enviada em 03/10/2019

Durante seu mandato, a ex-presidente Dilma Rousseff disse “não acho que quem ganhar ou quem perder, nem quem ganhar nem perder, vai ganhar ou perder, vai todo mundo perder”. Embora confusa, a frase pode ser aproveitada quando se busca analisar as consequências da alienação parental. Nesse sentido, tal processo representa uma súbita ruptura na vida dos filhos, além de impactar permanentemente na estrutura familiar. Portanto, é necessário ponderar a respeito dos perigos deste trâmite, como as dificuldades geradas na criação das crianças geradas a partir da separação.

Recentemente, foram completos 30 anos desde a queda do Muro de Berlim, em 1889. Tal marco  representou a reunificação da Alemanha, bem como a união de inúmeras famílias que foram separadas pelos embates ideológicos da Guerra Fria. Em oposição ao que representou o fato histórico, a alienação parental é um processo que se tornou comum na atualidade, e é marcado pela súbita ruptura da estrutura familiar. Neste sentido, o fim da união causa um afastamento entre os pais, o que muitas vezes não é compreendido pela criança, que fica com sua criação comprometida pela disputa entre as partes. Portanto, é notável que o trâmite abordado acaba, com seus desdobramentos, construindo um “muro” nas relações familiares, que muitas vezes não é desconstruido, como o que existia na Europa.

Outra consequência notória do processo de alienação parental são as mudanças no comportamento geradas como consequência. A exemplo disso, o filme “Esposa de Mentirinha” mostra um de seus núcleos narrativos como uma família pós divórcio. Neste caso, os filhos do casal separado apresentam em certos momentos da narrativa um comportamento que denota saudade em relação aos tempos de união dos pais. Dessa forma, mesmo se tratando de uma comédia, a obra aponta que a estrutura familiar é algo que faz bem para a saúde mental das novas gerações. Portanto, é evidente que o processo judicial de rompimento entre parentes prejudica a curto prazo o psicológico dos descendentes, e que deve evitado a fim de que não hajam perdas para os primogênitos.

Em suma, atualmente o processo de alienação parental não impacta somente a estabilidade familiar, como também a criação dos filhos, que sofre grande prejuízo, mesmo em curto prazo. Sabendo disso, e considerando que se trata de uma escolha pessoal das partes envolvidas, cabe ao governo conscientizar a população a respeito das consequências de tal processo. Nesse sentido, seguindo o que se dizia por Montesquieu em “O Espírito das Leis”, uma ação conjunta dos três poderes da república seria eficaz para conscientizar sobre o pós divórcio. Sendo assim, por meio da aprovação de propagandas e materiais, no Congresso, e sua devida disseminação pelo poder executivo, haveria um decréscimo nos impactos das separações, que deveriam ser julgadas de forma justa pelo judiciário.

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