Os perigos da alienação parental

Enviada em 04/10/2019

A alienação parental é tida, segundo o código penal, como toda a prática manipuladora e que dissimula a criança ou jovem de modo a obter determinada postura ou comportamento frente a outrem ou a uma circunstância, sendo portanto uma prática desviante e criminosa. Desse contexto, emerge uma discussão acerca dos potenciais prejuízos que seu exercício pode auferir, sobretudo à luz de uma análise profunda dos impactos promovidos a curto e longo prazo. Nesse sentido, torna-se vital adotar uma postura de enfrentamento aos casos de alienação parental, seja porque ela acarreta danos ao desenvolvimento individual, seja porque ela enfraquece a sociedade promovendo rupturas.

No que concerne ao primeiro ponto, é válido salientar os impactos negativos que tal forma de alienação produz na formação moral, psicológica e comportamental da criança. Acerca disso, vale trazer o pensamento da psiquiatra Ana Beatriz Barbosa, a qual afirma que o aprendizado, bem como todo o desenvolvimento, está pautada em dimensões práticas e culturais que se reúnem em “bases biopsicológicas”, influenciando na realidade do indivíduo. Posto isso, infere-se que a ocorrência da alienação parental impacta na esfera subjetiva  do sujeito, moldando coercitivamente uma visão de mundo exterior e incoerente, o que, por fim, acarreta em falhas no desenvolvimento das bases biopsicológicas. Assim, os pais acabam por desestruturar e perturbar a formação crítica de seus filhos.

Já em relação ao segundo ponto, é relevante destacar as consequências sociais que o problema pode ocasionar nos mecanismos de coesão da sociedade. A respeito disso, o sociólogo Émille Durkheim destaca que a família é responsável por realizar a socialização primária o que significa o primeiro contato do indivíduo com as relações sociais. A partir disso, a família, por ser de essencial importância na formação do “feedback” social do jovem, é a mantenedora da ordem social, controlando os impulsos e normatizando regras. Entretanto, em vista da alienação parental, ocorre uma erosão desses fatores instrutivos em detrimento à rivalidade entre os pais, o que proporciona perda da coesão social e implica na incompatibilidade entre a postura do sujeito e o que é exigido pela sociedade.

Defronte ao apresentado, cabe uma reflexão acerca de medidas capazes de reverter o cenário de alienação parental na coletividade. No tocante a isso, a escola, por realizar um trabalho complementar ao da família, deve desempenhar um papel vigilante e fiscalizador quanto à alienação parental de modo a ativar os pais sobre suspeitas. Isso pode ser feito a partir da análise multidisciplinar das ações, das opiniões e comportamento envolvendo os alunos e a reunião com os responsáveis para conciliar e conscientizar sobre danos que a prática oferece. Tudo isso com o objetivo de salvaguardar os jovens da alienação parental e proteger a sociedade dos impactos a longo prazo, através da educação preventiva.