Os perigos da alienação parental

Enviada em 16/10/2019

O Estatuto da Criança e do Adolescente, estabelecido em 1990 no Brasil, garante ao grupo infantojuvenil, com absoluta prioridade, o direito à convivência familiar, a qual deve ser assegurada pela própria família, a sociedade e o Estado. No entanto, a teoria proposta não corresponde à realidade, uma vez que a existência da alienação parental fere as condições da formação psicossocial dos filhos e prejudica o estabelecimento de relações saudáveis na vida adulta. Esses fatores, unidos, interferem no bem-estar integral dessa parcela da sociedade no século XXI.

Nesse contexto, é possível analisar que a prática da alienação parental interfere no desenvolvimento psicológico das vítimas. O processo de dissolução conjugal, muitas vezes, provoca o desentendimento entre pais e mães, os quais podem agir de modo a manipular os filhos para distanciar eles do outro genitor. Isso pode se relacionar com o conceito de biopoder do filósofo Michel Foucault, em que há a subjugação dos corpos à instrumentos autoritários, como, nesse caso, o uso da ligação familiar para interferir nos sentimentos das crianças ou adolescentes. Logo, elas tendem a se isolar da relação com o progenitor agredido, processo que pode desencadear sensação de culpa e rejeição, e , assim, gerar transtornos psicológicos ligados à depressão e ansiedade ainda na menoridade.

Além disso, a presença de disputas e brigas entre os progenitores pode influenciar de modo prejudicial a construção de relacionamentos dos filhos na maioridade. Segundo a teoria do “habitus” do sociólogo Pierre Bordieu, o primeiro contato social que os humanos estabelecem ao nascer é com a família. Dentro dessa perspectiva, os comportamentos aprendidos inicialmente são reflexo de como os pais agem dentro do âmbito doméstico. Dessa maneira, os constantes desentendimentos e discussões, assim como a tentativa de difamar e agredir o outro parente dentro de casa ensinam os filhos a capacidade destrutiva que os relacionamentos podem ter, condição que impede a estruturação de relações saudáveis e duradouras quando atingem a vida adulta.

Infere-se, portanto, que medidas devem ser tomadas para evitar a alienação parental nas famílias brasileiras. Por isso, as escolas públicas e privadas, como instituições que auxiliam na instrução não só educacional, mas social dos indivíduos, podem fazer palestras com psicólogos, os quais possam ensinar aos alunos como a manipulação familiar pode acontecer e as possíveis consequências dessa prática para as vítimas envolvidas. Isso pode ser feito mediante investimento do erário direcionado à esfera do ensino fundamental e médio pelo Ministério da educação. Com efeito, essas pessoas afetadas serão capazes de relatar esse problema a outras pessoas da família ou professores responsáveis, para, então, serem protegidos e salvaguardados pelo direito constitucional.